Sábado, 7 de novembro de 2026 · São Paulo
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Onda de falsas ameaças de bomba na Europa gera suspeitas de campanha coordenada

Governo irlandês aponta provável ação para causar perturbações; dezenas de voos foram afetados ao longo da semana em diversos países do continente.

Em resumo

  • Governo irlandês aponta provável campanha coordenada de falsas ameaças de bomba contra voos e veículos de imprensa na Europa.
  • Mais de 20 voos foram afetados nesta sexta-feira (13), incluindo aeronaves em Praga, Madri, Lisboa, Roma, França, Bulgária e Hungria.
  • Especialistas e autoridades analisam os episódios como possíveis operações híbridas de desestabilização contra infraestruturas civis.

A Irlanda denunciou nesta sexta-feira (13) uma “provável campanha coordenada” de falsas ameaças de bomba contra voos comerciais e veículos de comunicação. As ameaças provocaram transtornos no transporte aéreo em diferentes países da Europa ao longo desta semana. Entre os veículos de imprensa que receberam ameaças estão a emissora britânica Sky News e a francesa TF1.

Em diferentes pontos do continente, aviões precisaram mudar de rota, foram escoltados por caças, evacuados ou submetidos a inspeções de segurança. Nenhum explosivo foi encontrado e nenhum grupo reivindicou a autoria das ameaças. Mesmo assim, o governo irlandês afirmou considerar “provável” que os episódios façam parte de uma “campanha coordenada destinada a provocar perturbações”, segundo um comunicado.

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Nesta sexta-feira, mais de 20 voos foram afetados, segundo autoridades europeias. Onze voos com origem ou destino em Praga, na República Tcheca, receberam alertas de bomba. Outros quatro voos com destino a Madri, na Espanha, e uma aeronave que fazia o trajeto entre Lisboa e Roma também foram alvo de ameaças. Na França, quatro aviões em voo sobre o território do país receberam alertas de bomba. Dois voos vindos de Londres e Bruxelas que aterrissaram no aeroporto de Sofia, na Bulgária, também tiveram ameaça de bomba, afirmou o ministro dos Transportes búlgaro. A Hungria afirmou que mobilizou caças para escoltar três voos que tiveram alerta de bomba. Todas as aeronaves pousaram sem incidentes e passaram por inspeções de equipes especializadas em explosivos.

Operações híbridas

Há meses, países europeus denunciam o aumento de operações de desestabilização que atribuem à Rússia e ao Irã. Entre as ações estão campanhas de desinformação, sabotagens, ataques cibernéticos e atentados. Sem apontar quem está por trás das ameaças, Jean Marc Rickli, diretor de riscos globais e emergentes do Centro de Política de Genebra, afirmou à agência France Presse (AFP) que os episódios devem ser analisados no contexto das chamadas operações híbridas contra países europeus. “Não custa nada para quem faz, mas tem um impacto importante em nível logístico e, logicamente, na percepção da população. As autoridades não podem ignorar estes alertas porque, se uma se materializar, serão consideradas responsáveis”, afirmou.

Na quinta-feira, ameaças enviadas aos aeroportos de Roma, na Itália, e Sófia, na Bulgária, foram atribuídas aos chamados “combatentes do Estado Masculino”. A expressão parece fazer referência a um movimento ultranacionalista russo, mas não há confirmação de ligação entre o grupo e os alertas. O fundador do movimento negou qualquer envolvimento.

Chefe da polícia pede cautela

O chefe da polícia de Londres, Mark Rowley, pediu cautela diante das ameaças e afirmou que as autoridades precisam evitar reações exageradas a cada alerta recebido. Em entrevista à rádio BBC 4 nesta sexta-feira, Rowley comparou a situação atual às falsas ameaças de bomba registradas durante o período de atuação do IRA. “Já vivemos isto no passado. Quando enfrentávamos as ameaças terroristas vinculadas ao IRA, há décadas, falávamos de ‘terrorismo a 10 pence’ (10 centavos): um telefonema falso anunciando uma bomba podia perturbar uma cidade inteira. Tivemos que aprender a viver distinguindo entre o que era um trote e o que era real”, afirmou.

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A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também denunciou ataques cibernéticos contra infraestruturas civis. “Hoje, não estamos em condições de afirmar se (…) estão todas relacionadas. Mas todas nos indicam, sem dúvida, uma mesma realidade: hoje são as infraestruturas civis as que estão sendo atacadas”, declarou a jornalistas durante um evento.

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