Sábado, 7 de novembro de 2026 · São Paulo
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Mais de 200 escritoras denunciam sexismo em prêmios literários da França

Grupo que inclui a vencedora do Nobel Annie Ernaux critica a exclusão de mulheres nas principais premiações literárias francesas deste ano.

Em resumo

  • Mais de 200 escritoras assinaram um artigo no jornal Libération denunciando o sexismo nos principais prêmios literários da França.
  • Os cinco prêmios mais importantes da temporada foram entregues exclusivamente a homens, apesar da alta qualidade de obras escritas por mulheres.
  • As autoras criticam o sistema de cooptação patriarcal dos júris, cujos membros costumam ser nomeados por pares e ocupam cargos vitalícios.

Mais de 200 escritoras francesas, incluindo a vencedora do Nobel Annie Ernaux e a autora Virginie Despentes, denunciaram nesta sexta-feira (6) o “sexismo” que, em sua avaliação, caracteriza os principais prêmios literários da França. O protesto ocorre após todos os grandes reconhecimentos da temporada terem sido concedidos exclusivamente a homens.

Em um artigo de opinião publicado pelo jornal Libération, as autoras expressaram sua “indignação” diante de um sistema de premiação que, segundo elas, “não reflete a riqueza e a diversidade da literatura contemporânea”. A crítica foi divulgada poucos dias após a entrega dos cinco principais prêmios da temporada literária francesa.

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Os premiados da temporada

Os vencedores dos principais prêmios foram: o Goncourt, concedido a Philippe Jaenada; o Renaudot, a François-Henri Désérable; o Femina, a Yannick Haenel; o Médicis, a Philippe Vasset; e o Grande Prêmio da Academia Francesa, a Sébastien Lapaque. “Os jurados conseguiram a façanha heroica de premiar apenas homens”, escreveram as signatárias.

O grupo destaca que a temporada literária havia sido apresentada como especialmente aberta e rica em obras escritas por mulheres. Apesar do cenário geral, algumas escritoras foram contempladas em categorias de menor repercussão: Anne Godard ganhou o Prêmio Décembre, Lucie Rico recebeu o Prêmio de Flore e a espanhola Eva Baltasar venceu o Médicis na categoria de romance estrangeiro.

As autoras sustentam que ainda vigora um sistema de “cooptação patriarcal”. Segundo elas, esse modelo é favorecido pelo fato de que “os membros dos júris dos grandes prêmios costumam ser nomeados por seus próprios pares e, na maioria dos casos, permanecem nos cargos por toda a vida”.

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