Bancos de sangue na França foram incluídos entre os alvos de ciberataques que atingiram sistemas de refrigeração em vários países europeus no domingo e na segunda-feira, informaram as autoridades francesas nesta quarta-feira (04/11).
O Estabelecimento Francês do Sangue (EFS, na sigla em francês) afirmou que um “incidente de cibersegurança” teve como alvo um fornecedor de serviços de refrigeração, afetando sistemas de controle em três unidades de armazenamento a frio de plasma e amostras de sangue.
O ataque cibernético tentou elevar as temperaturas a níveis extremamente altos, mas foi contido antes que qualquer dano pudesse ocorrer. O plasma armazenado nos refrigeradores afetados foi transferido ou colocado em segurança, informou o EFS.
“Não foram identificadas consequências para a saúde, e nenhum produto sanguíneo foi perdido”, disse o EFS em comunicado, acrescentando que suas operações de distribuição não foram interrompidas.
O ataque foi noticiado pela primeira vez nesta quarta-feira pelo jornal francês Le Canard Enchaîné, que informou que as temperaturas haviam sido programadas para atingir 110°C, em vez dos habituais -30°C.
“Os sistemas de monitoramento e alarme detectaram rapidamente as anomalias, permitindo que as equipes agissem para garantir que nenhum produto sanguíneo ou amostra fosse comprometido”, afirmou o EFS.
A agência francesa de cibersegurança e o Ministério da Saúde informaram que uma investigação está em andamento, mas não indicaram quem poderia estar por trás da ação.
O Ministério da Saúde declarou nesta quarta-feira que o acesso remoto aos refrigeradores afetados foi desativado e atribuiu aos sistemas de monitoramento e alarme o mérito por garantir a segurança dos estoques de sangue.
A Coolworld, empresa fornecedora dos equipamentos de refrigeração, disse que a vulnerabilidade estava relacionada a um componente de um “fornecedor terceirizado” e que estava “fora do controle direto da Coolworld”.
No domingo e na segunda-feira, um ataque cibernético teve como alvo sistemas de refrigeração de supermercados em vários países europeus, incluindo França e Alemanha, destruindo grandes quantidades de alimentos congelados.
O episódio lembrou um ataque semelhante ocorrido três semanas antes, que atingiu sistemas de refrigeração de dezenas de supermercados franceses.
Os ataques custaram aos supermercados milhões de euros em alimentos desperdiçados.
Nesta quarta-feira, a rede holandesa de supermercados Ahold Delhaize informou que espera que o ataque cibernético ocorrido em outubro reduza suas vendas trimestrais em até 250 milhões de euros (US$ 281 milhões).
“Embora a maior parte da interrupção tenha sido contida em duas semanas, o trabalho continua para restaurar completamente nossas operações normais”, afirmou o diretor-presidente Franz Muller.



















