Um ciberataque atingiu equipamentos de armazenagem de plasma e amostras de sangue em três instalações do Estabelecimento Francês de Sangue (EFS) no dia 2 de novembro. Os freezers, que operam normalmente próximos a -30 ºC, tiveram seus sistemas de refrigeração programados remotamente para atingir 110 ºC. Apesar da gravidade da alteração, não houve perda de estoques ou impacto à saúde dos pacientes, conforme informou o EFS.
Como o ataque foi contido
Segundo o jornal Le Canard Enchaîné, o comprometimento não resultou em danos porque sistemas de monitoramento identificaram as alterações nos parâmetros de degelo e limites de temperatura. Funcionários das unidades também atuaram no controle, transferindo o material armazenado antes que os produtos fossem danificados. De acordo com a Associated Press, dependendo da unidade, os equipamentos foram desligados, colocados novamente sob controle ou tiveram o conteúdo movido para locais seguros.
A invasão ocorreu por meio da infraestrutura de TI do EFS. A Coolworld, empresa responsável pelos sistemas atingidos, declarou que a vulnerabilidade explorada estava em um componente fornecido por uma terceira parte e afetou um número limitado de unidades. O Ministério da Saúde da França e a agência nacional de cibersegurança do país investigam o caso. O acesso remoto aos equipamentos foi desativado e o monitoramento de temperatura nas instalações foi reforçado.
Contexto de ataques na Europa
O incidente no EFS ocorre poucos dias após ataques similares a sistemas de refrigeração de supermercados na Bélgica, Luxemburgo, Suécia e Estônia, onde equipamentos foram configurados para atingir 50 ºC. Anteriormente, centenas de supermercados na França também sofreram ataques, resultando no descarte de alimentos e prejuízos milionários. Ainda não há confirmação se a sabotagem no EFS está relacionada aos ataques contra o varejo.
Na quinta-feira (05/11), autoridades dos Estados Unidos emitiram um alerta sobre ataques contra sistemas de refrigeração industrial e monitoramento de cadeia fria. O comunicado da CISA, agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna (DHS), adverte que invasões podem causar perda de estoques, danos aos equipamentos e risco de incêndio. “Toda organização que depende de sistemas de refrigeração e monitoramento deve presumir que pode ser alvo”, afirmou Chris Butera, responsável interino pela área de cibersegurança da CISA.

















