A recuperação de ecossistemas degradados está em andamento em aproximadamente 252 milhões de hectares ao redor do mundo, o que representa apenas um quarto da área que os países se comprometeram a restaurar até 2030. O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece os avanços na recuperação de florestas, rios e outros ambientes naturais, mas afirma que o ritmo atual continua insuficiente para cumprir as metas internacionais de proteção da biodiversidade.
A avaliação, divulgada nesta quinta-feira (29) durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), em Yerevan, na Armênia, é o primeiro levantamento global sobre o progresso dos países na restauração de ecossistemas. O relatório aponta que os países prometeram restaurar cerca de 1 bilhão de hectares de ecossistemas degradados, área maior que o Brasil. Até agora, porém, apenas cerca de 25% dessa extensão tem iniciativas de restauração documentadas.
Metas e desafios
O relatório também avalia o cumprimento de uma meta estabelecida em 2022, no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que determina que pelo menos 30% dos ecossistemas degradados do planeta estejam sob restauração efetiva até 2030. Para alcançar esse objetivo, a ONU calcula que as ações de recuperação da natureza precisam triplicar nos próximos anos.
“Estamos testemunhando o surgimento de um dos maiores movimentos em defesa da natureza de que se tem registro”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma. “No entanto, na metade da Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas, ainda não estamos recuperando a natureza na escala nem na velocidade necessárias”, acrescentou.
O levantamento reúne informações apresentadas por governos e iniciativas de recuperação ambiental, incluindo registros de atividades realizadas entre 1966 e 2026. A ONU ressalta que uma área estar sob restauração não significa que sua recuperação tenha sido concluída. A maior parte das áreas documentadas está em ambientes terrestres, totalizando 232 milhões de hectares, o equivalente a 92% da área total identificada. A Ásia concentra a maior parte, com 192,2 milhões de hectares, sendo que a China possui 127,4 milhões de hectares. Na América do Sul, o total registrado é de 5,4 milhões de hectares, com o Brasil contabilizando 3,4 milhões de hectares.
A situação é mais preocupante nos ambientes aquáticos. Apenas 11 milhões de hectares de rios, lagos e áreas úmidas estão sob restauração em 62 países, o equivalente a 4,5% da meta para 2030. Nos ecossistemas marinhos e costeiros, são 5,7 milhões de hectares em 46 países, cerca de 23% da meta. A falta de recursos também é um entrave: em 2022, o financiamento global foi de US$ 64 bilhões, enquanto a ONU estima a necessidade de US$ 296 bilhões por ano para cumprir os compromissos até 2030.







