Uma pesquisa revelou que cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil encontram-se em risco crítico de colapso. O levantamento indica que outras três áreas não possuem dados suficientes para uma classificação geral de risco. As ondas de calor marinhas foram apontadas como a principal ameaça aos recifes do país.
De acordo com a avaliação, as projeções climáticas sinalizam um aumento do estresse térmico severo, do branqueamento e da mortalidade de espécies de corais para as próximas décadas. Eventos dessa natureza já foram registrados anteriormente nos anos de 2019, 2020 e 2024.
O estudo também identificou alterações na cobertura dos corais e na composição das comunidades marinhas. A proporção entre algas e corais, além da biomassa de peixes herbívoros e predadores, figuram entre os principais motivos para essas mudanças no ecossistema.
Mudanças no status de conservação
Nos últimos 50 anos, as ecorregiões de Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já apresentavam uma situação crítica. Enquanto isso, as regiões de Abrolhos, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, que eram classificadas como EN (Em Perigo) de extinção, passaram para a categoria CR (Criticamente em Perigo).
A analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar, afirma que “Os resultados mostram que três dessas ecorregiões já estavam em risco crítico pelo que aconteceu nos últimos 50 anos, e que as projeções colocam outras duas no mesmo patamar. Onde faltam dados, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco. A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação.”
Fatores de risco adicionais
O levantamento da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) destaca que, além das mudanças climáticas, os recifes de corais sofrem impactos da pesca excessiva, do desenvolvimento costeiro, da pressão turística e do lançamento de nutrientes e sedimentos que comprometem a qualidade da água. A UICN também relata que atividades de exploração de petróleo e gás, mineração e navegação representam riscos de contaminação aos ambientes marinhos.
A Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN utilizou dados dos últimos 50 anos para analisar o estresse térmico que os recifes brasileiros podem sofrer nas próximas cinco décadas. A avaliação do risco de colapso baseou-se em critérios como redução da distribuição, restrição geográfica, degradação das condições ambientais e alterações nos componentes biológicos.



















