Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Cinco regiões de corais no Brasil estão em estado crítico e correm risco de colapso

Pesquisa aponta que ondas de calor marinhas são a principal ameaça aos recifes brasileiros, com projeções de aumento no estresse térmico nas próximas décadas.

Em resumo

  • Cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil estão em risco crítico de colapso.
  • Ondas de calor marinhas, pesca excessiva e desenvolvimento costeiro são as principais ameaças ao ecossistema.
  • Projeções indicam aumento do estresse térmico e da mortalidade de espécies de corais para as próximas cinco décadas.

Uma pesquisa revelou que cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil encontram-se em risco crítico de colapso. O levantamento indica que outras três áreas não possuem dados suficientes para uma classificação geral de risco. As ondas de calor marinhas foram apontadas como a principal ameaça aos recifes do país.

De acordo com a avaliação, as projeções climáticas sinalizam um aumento do estresse térmico severo, do branqueamento e da mortalidade de espécies de corais para as próximas décadas. Eventos dessa natureza já foram registrados anteriormente nos anos de 2019, 2020 e 2024.

O estudo também identificou alterações na cobertura dos corais e na composição das comunidades marinhas. A proporção entre algas e corais, além da biomassa de peixes herbívoros e predadores, figuram entre os principais motivos para essas mudanças no ecossistema.

Mudanças no status de conservação

Nos últimos 50 anos, as ecorregiões de Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já apresentavam uma situação crítica. Enquanto isso, as regiões de Abrolhos, Baía de Todos os Santos e Baixo Sul, que eram classificadas como EN (Em Perigo) de extinção, passaram para a categoria CR (Criticamente em Perigo).

A analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar, afirma que “Os resultados mostram que três dessas ecorregiões já estavam em risco crítico pelo que aconteceu nos últimos 50 anos, e que as projeções colocam outras duas no mesmo patamar. Onde faltam dados, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco. A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação.”

Fatores de risco adicionais

O levantamento da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) destaca que, além das mudanças climáticas, os recifes de corais sofrem impactos da pesca excessiva, do desenvolvimento costeiro, da pressão turística e do lançamento de nutrientes e sedimentos que comprometem a qualidade da água. A UICN também relata que atividades de exploração de petróleo e gás, mineração e navegação representam riscos de contaminação aos ambientes marinhos.

A Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN utilizou dados dos últimos 50 anos para analisar o estresse térmico que os recifes brasileiros podem sofrer nas próximas cinco décadas. A avaliação do risco de colapso baseou-se em critérios como redução da distribuição, restrição geográfica, degradação das condições ambientais e alterações nos componentes biológicos.

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