Terça-feira, 27 de outubro de 2026 · São Paulo
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Anistia Internacional denunciará Milei à ONU por ataque a jornalistas

Organização aponta hostilidade do presidente argentino contra a imprensa e cita escalada de violência após declarações sobre profissionais do setor.

Em resumo

  • A Anistia Internacional denunciará Javier Milei à ONU e à CIDH por hostilidade contra jornalistas.
  • O presidente argentino chamou jornalistas de 'mercenários' e afirmou que deveriam 'queimar na fogueira'.
  • Dados apontam 278 ataques contra jornalistas em 2025, com Milei identificado como autor de 119 desses episódios.

A Anistia Internacional informou que vai denunciar o presidente argentino, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por hostilidade a jornalistas. Na última semana, Milei xingou os profissionais que fizeram reportagens investigativas contra ele e afirmou que deveriam “queimar na fogueira”.

As hostilidades foram cometidas após a Justiça argentina arquivar, na última sexta-feira (23), o caso conhecido como “criptogate”, de fevereiro de 2025, que levantava suspeita da participação dele e de sua irmã, Karina Milei, em um esquema de irregularidades na criação da criptomoeda $Libra. O juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi entendeu que não houve delitos.

Ataques nominais

Milei citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio, desqualificando-os. “Empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”, disse. Em seguida, declarou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”. Na rede social X, o mandatário classificou os jornalistas como “subornados e mercenários da mentira”.

Para a Anistia Internacional, as declarações aprofundam o assédio à imprensa e deterioram as garantias do debate democrático. A diretora-executiva da ONG na Argentina, Mariela Belski, afirmou que, quando o presidente utiliza imagens de violência, contribui para gerar um clima de intimidação. “O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança”, disse.

Histórico de hostilidade

A ONG cita dados do Fórum de Jornalismo Argentino, que registrou 278 ataques contra jornalistas em 2025, 55% a mais que em 2024. Javier Milei foi identificado como autor de 119 desses episódios. O levantamento contabilizou ainda 139 casos de discursos estigmatizantes, 20 ações judiciais contra jornalistas e 28 restrições de acesso à informação.

Em novembro de 2025, a Anistia Internacional participou de uma audiência na CIDH sobre a liberdade de expressão na Argentina, onde foram denunciados o aumento das agressões e o assédio judicial. A Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa e a Federação Internacional dos Jornalistas (FIP) também repudiaram as falas de Milei, alertando para o risco de autocensura.

O Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também se manifestou, afirmando que a incitação à violência deve provocar uma reação imediata. Além disso, no último dia 12, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina, com cancelamento de sua residência permanente e proibição de reingresso por cinco anos.

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