Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo

Construtoras podem precisar de 288 mil novos operários após fim da escala 6×1

Estimativa da CBIC aponta impacto nos custos e no ritmo de obras; Abrainc projeta alta de 5,5% no preço final dos imóveis com a redução da jornada.

Em resumo

  • A CBIC estima a necessidade de 288 mil novos trabalhadores no setor a partir de 2027.
  • O programa Minha Casa, Minha Vida pode ter uma redução de 30 mil unidades financiadas por ano.
  • Estudo da Abrainc aponta que o preço final dos imóveis pode subir 5,5% com a mudança na jornada.

A aprovação do fim da escala 6×1 no Senado gerou alertas das associações que representam as construtoras sobre o aumento significativo nos custos de produção de imóveis. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que a redução da jornada poderá exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais a partir de 2027, o que deve pressionar os custos e comprometer o ritmo de execução das obras.

O cenário é agravado pela situação atual do setor, que já enfrenta escassez de mão de obra qualificada, desinteresse dos jovens em ingressar nos canteiros de obras e a competição por trabalhadores com os serviços de transporte por aplicativos.

Impactos em projetos e políticas públicas

“Na prática, o encarecimento das obras poderá significar menos investimentos, atrasos nas entregas e redução do alcance de políticas públicas”, afirmou a CBIC, em nota, ao destacar os possíveis impactos em projetos residenciais e de infraestrutura.

No programa Minha Casa, Minha Vida, as projeções da CBIC indicam que a redução da jornada poderá resultar em cerca de 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos por ano devido ao encarecimento da produção. Esse número corresponde a aproximadamente 6% da média de contratações anuais do programa no atual mandato.

Elevação nos preços dos imóveis

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) projeta uma elevação de 5,5% no preço final dos imóveis com a redução da jornada e o consequente aumento nos custos de produção, conforme estudo realizado em parceria com a consultoria Ecconit.

“A necessidade de ampliar equipes em um setor que enfrenta escassez de mão de obra qualificada pode pressionar custos e cronogramas, comprometendo a viabilidade de projetos e a oferta de moradias”, alertou a associação empresarial.