Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo

TSE manda PT apagar post que liga vice de Flávio a estupro

Ministra Estela Aranha fixou prazo de três horas para a remoção de publicação feita por diretórios municipais do partido.

Em resumo

  • Ministra do TSE manda PT apagar post sobre vice de Flávio.
  • A publicação associava Alfredo Gaspar a acusação de estupro.
  • O caso já havia sido arquivado pelo STF por falta de provas.

A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou que diretórios municipais do PT retirem das redes sociais uma publicação que associa Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), a uma acusação de estupro de vulnerável. A decisão fixa prazo de três horas para a remoção. O post foi publicado pelos diretórios de Lorena e São José dos Campos, em São Paulo.

O texto dizia que Gaspar era investigado por estupro e sugeria que Flávio escondia a acusação dos eleitores. A defesa dos candidatos afirmou que o conteúdo era falso, já que o caso foi arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A notícia-crime havia sido levada ao Supremo após manifestações do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). A acusação dos parlamentares afirmava que Gaspar havia mantido relações sexuais com uma menor de idade que tinha apenas 13 anos à época. A relação teria resultado no nascimento de uma filha, hoje com 8 anos.

Desde o início, Gaspar negou e chegou a pedir ao STF para acelerar a realização de testes de DNA para comprovar que não cometeu o crime. A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu o arquivamento por falta de provas e por contradições nos relatos. O ministro Gilmar Mendes acolheu o pedido em 6 de outubro.

Na decisão, Estela afirmou que o caso foi arquivado sem a abertura de inquérito, por ausência de elementos mínimos que justificassem investigação. Segundo a ministra, manter no ar um post que apresentava Gaspar como “investigado”, sem citar o arquivamento, poderia induzir o eleitorado a erro.

Ela afirmou ainda que atribuir crime sexual a alguém não se confunde com crítica política e exige “suporte objetivo mínimo”. Nesse contexto, a apresentação de acusações dessa natureza, desacompanhadas de elementos mínimos de corroboração e sem referência ao arquivamento da notícia de crime, apresenta, em exame preliminar, potencial para induzir o eleitorado em erro e atingir gravemente a honra e a imagem do candidato, ultrapassando os limites da liberdade de expressão política.

Estela Aranha

Além de determinar a retirada do conteúdo pelo PT e pelo Instagram, proibiu a republicação de versões substancialmente idênticas até o julgamento definitivo do caso. A decisão ainda será submetida ao plenário do TSE.