Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 · São Paulo
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Binance e banco francês sofrem ataques hackers com desvios milionários

Entenda as diferenças entre os casos que movimentaram bilhões de reais e as estratégias utilizadas pelos criminosos para acessar os recursos.

Em resumo

  • A Binance sofreu o maior roubo de criptomoedas da história, com desvio de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões).
  • O banco francês Crédit Mutuel Arkéa teve R$ 615 milhões desviados, com recursos convertidos rapidamente em criptomoedas.
  • Especialistas apontam que hackers estão utilizando métodos mais sofisticados e que a inteligência artificial pode potencializar ataques.

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, e o banco francês Crédit Mutuel Arkéa foram alvos de ataques hackers em um intervalo de quase uma semana. Os criminosos desviaram bilhões de reais, utilizando caminhos distintos para acessar os ativos. Na Binance, o roubo totalizou US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões), valor que especialistas apontam como o maior roubo de criptomoedas já registrado.

Já o Crédit Mutuel Arkéa informou, na noite de quarta-feira (4), que sofreu um ataque com desvio estimado em 100 milhões de euros (R$ 615 milhões). “No caso da Binance, o roubo foi das próprias carteiras de criptomoedas. Já no caso do banco francês, foram roubados recursos financeiros da instituição, que rapidamente foram convertidos em criptomoedas”, explicou ao g1 Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. Segundo ele, a conversão para cripto facilita a transferência internacional dos valores. Os casos ocorrem em meio a uma onda de ciberataques que também afeta sistemas de refrigeração em supermercados de diversos países europeus.

Como ocorreu o ataque à Binance

Na Binance, a invasão do notebook de um dos engenheiros pode ter sido o ponto de partida. A corretora indicou que o computador pode ter sido utilizado para acessar sistemas e realizar saques não autorizados. “Nossa equipe de segurança está rastreando todo o caminho do ataque através do computador comprometido, que pode ser o ponto de entrada do incidente”, afirmou a empresa, que posteriormente identificou outros pontos de invasão.

Mark Karpeles, ex-chefe da corretora Mt Gox, declarou à agência Reuters que os invasores provavelmente acessaram chaves privadas de pelo menos duas carteiras. “A Binance parece ter dividido seus ativos em vários sistemas, garantindo que um ataque só possa afetar parte dos ativos, mas mesmo assim um único ataque é uma grande perda”, disse. A empresa de análise de blockchain TRM Labs afirmou ter “alta confiança” de que o ataque foi realizado pelo grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte.

O que aconteceu no Crédit Mutuel Arkéa

O banco francês afirmou que hackers invadiram seus sistemas e realizaram transferências para outras instituições. Segundo a entidade, as contas dos clientes não foram comprometidas e não houve prejuízo aos correntistas. O dinheiro subtraído foi convertido em criptomoedas. O jornal Le Monde reportou que parte dos valores foi enviada ao banco Kraken, que emitiu um alerta de transação suspeita na terça-feira (3).

Embora o Crédit Mutuel Arkéa não tenha confirmado o prejuízo de US$ 133 milhões divulgado pelo jornal Le Télégramme, a instituição indicou que os valores comprometidos eram dessa ordem.

Preocupações com a segurança

O especialista Arthur Igreja destaca que hackers estão se especializando e que ferramentas de inteligência artificial podem ampliar a atuação criminosa, embora não haja confirmação de uso de IA nestes ataques específicos. “Já existe, há algum tempo, um alerta de que as ferramentas e os modelos de IA poderiam potencializar a atuação desses criminosos. Ela pode ser utilizada para encontrar fragilidades, automatizar tarefas e até aumentar a velocidade da execução de determinadas etapas de um ataque”, afirmou.

Igreja ressalta que a IA atua como ferramenta nas mãos dos criminosos e que os ataques podem ser cometidos de qualquer lugar do mundo. “Isso também é muito grave, porque pode ser um hacker que está na Coreia do Norte, por exemplo, atacando a Binance. A grande questão é que, onde houver uma fragilidade, muito possivelmente ela será explorada”, concluiu.

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