Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 · São Paulo
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Golpes com inteligência artificial: como reconhecer voz e vídeo falsos

Criminosos já imitam a voz de parentes e criam vídeos falsos de famosos. Veja os sinais de alerta e como proteger você e sua família.

Saiba como funcionam os golpes com voz clonada e vídeos falsos feitos por inteligência artificial, os sinais para reconhecer e o que fazer para se proteger.

O telefone toca e, do outro lado, é a voz do seu filho, chorando, dizendo que sofreu um acidente e precisa de dinheiro urgente. Só que não é ele. Com programas de inteligência artificial cada vez mais fáceis de usar, criminosos conseguem copiar a voz de uma pessoa a partir de poucos segundos de áudio e criar vídeos falsos que parecem reais. Saber como esses golpes funcionam é a melhor forma de não cair neles.

Como funciona o golpe da voz clonada

Para clonar uma voz, o golpista precisa de uma amostra curta, e ela costuma estar à vista de todos: vídeos em redes sociais, áudios encaminhados no WhatsApp ou até uma ligação em que a vítima só disse “alô, quem fala?”.

Com essa amostra, programas de IA conseguem gerar frases novas com o mesmo timbre e jeito de falar. O roteiro do golpe quase sempre segue o mesmo padrão:

  • Urgência: acidente, prisão, sequestro, dívida que precisa ser paga “agora”.
  • Segredo: “não conta para ninguém”, “não liga para a mãe”.
  • Pagamento rápido: quase sempre por Pix, para uma conta desconhecida.

O objetivo é deixar a vítima tão nervosa que ela não tenha tempo de pensar nem de conferir.

Vídeos falsos (deepfakes) em anúncios

Outra versão do golpe usa vídeos falsos, os chamados deepfakes. Neles, o rosto e a voz de um famoso, de um médico conhecido ou de um apresentador de TV são usados para anunciar investimentos milagrosos, remédios “proibidos”, sorteios ou produtos com desconto impossível.

Esses vídeos aparecem como anúncios nas redes sociais e levam para páginas falsas, onde a vítima paga por algo que nunca vai receber ou entrega dados do cartão.

5 sinais de que pode ser falso

  1. Pedido de dinheiro com urgência, principalmente por Pix e para uma conta em nome de outra pessoa.
  2. Pedido de segredo, para você não confirmar a história com ninguém.
  3. Número desconhecido ou “trocado” (“mudei de número, salva esse”).
  4. Voz parecida, mas estranha: pausas fora do lugar, entonação robótica, respostas que não combinam com as suas perguntas. Num vídeo, desconfie de boca que não acompanha bem a fala, piscadas estranhas e contornos borrados no rosto.
  5. Promessa boa demais: retorno garantido, produto quase de graça, “dinheiro esquecido” para resgatar.

Como se proteger: a palavra-código da família

Uma das proteções mais simples e eficientes é combinar uma palavra-código com a família: uma palavra ou pergunta que só vocês sabem. Se alguém ligar pedindo dinheiro, peça a palavra. Golpista não sabe.

Outros cuidados importantes:

  • Desligue e ligue de volta para o número que você já conhece da pessoa. Se ela não atender, ligue para alguém próximo dela.
  • Faça uma pergunta pessoal que um estranho não saberia responder.
  • Deixe seus perfis mais fechados nas redes sociais e evite publicar áudios e vídeos longos de crianças e idosos em perfis abertos.
  • Não fale muito com números desconhecidos. Em ligações suspeitas, espere a pessoa se identificar antes de falar.
  • Desconfie de anúncios com famosos prometendo dinheiro fácil. Procure a notícia em sites confiáveis antes de acreditar.
  • Ative a verificação em duas etapas no WhatsApp, para dificultar que roubem a sua conta e usem a sua voz e os seus contatos.

O que fazer se cair no golpe

Se você fez um pagamento para um golpista, agir rápido aumenta a chance de recuperar o dinheiro:

  1. Avise o seu banco imediatamente pelos canais oficiais e peça o MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix. Ele permite bloquear o valor na conta de quem recebeu, se ainda houver saldo.
  2. Registre um boletim de ocorrência. Em muitos estados dá para fazer pela internet, na delegacia virtual.
  3. Guarde as provas: prints das conversas, números de telefone, comprovantes e links.
  4. Denuncie o perfil ou o anúncio na própria rede social.
  5. Avise a família e os amigos, porque os golpistas costumam tentar o mesmo golpe com outras pessoas próximas.

A tecnologia evolui rápido, mas os golpes continuam dependendo da mesma coisa: pressa e emoção. Na dúvida, respire, desligue e confira.

Fontes: Banco Central (Pix e MED), Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e orientações das polícias civis sobre crimes cibernéticos.

Crédito da imagem: Imagem ilustrativa gerada por IA

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