O candidato a presidente e senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se tornou alvo de uma nova investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito vai apurar suposto crime de lavagem de dinheiro que teria sido praticado em parceria com o advogado Willer Tomáz, alvo de outra apuração por possível envolvimento no desvio de recursos do INSS — nesse outro caso, Flávio não é investigado.
A existência do novo inquérito contra o senador foi revelada no domingo (18/10) pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmada pela BBC News Brasil. O caso foi sorteado para o gabinete de Alexandre de Moraes e corre em sigilo. O candidato do PL também é alvo de outra investigação que apura possíveis crimes no repasse de quase R$ 70 milhões pelo Banco Master para financiar o filme Dark Horse, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os potenciais desdobramentos das duas investigações podem ser impactados caso Flávio vença a eleição. O caminho natural após um inquérito é que seja arquivado, caso faltem provas, ou que seja apresentada uma denúncia criminal. No entanto, a Constituição Federal prevê que, durante o mandato, o presidente “não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. Ou seja, se eventuais crimes praticados não estiverem relacionados com o exercício da Presidência, não pode ser aberto um processo criminal, explica o criminalista João Pedro Pádua, professor de direito da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Flávio disputa o segundo turno da eleição no domingo (25/10) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, ambos estão tecnicamente empatados nas sondagens eleitorais.
O novo inquérito e Willer Tomaz
O novo inquérito vai apurar suposto crime de lavagem de dinheiro por Flávio e seu amigo advogado Willer Tomaz. A investigação mira suspeitas envolvendo plataformas de pagamento digital e o setor de apostas no Rio de Janeiro, quando o Estado era governado pelo aliado de Flávio, Cláudio Castro (PL). O ex-governador também é alvo no inquérito. A apuração tem origem na análise do celular de Willer Tomaz, apreendido no início de agosto em uma operação da Polícia Federal para apurar o possível envolvimento do advogado no esquema que desviou bilhões do INSS — Flávio não é alvo desse outro inquérito.
No relatório que embasa a abertura do inquérito, a PF diz que encontrou no material analisado “referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos [Tomaz e Flávio]”. Há também registro de vínculo em uma conta bancária em nome da empresa Alcazar Holding, na qual Flávio era mencionado como “usuário master”. Ainda segundo o relatório, foi identificado um grande volume de transações entre diferentes empresas e casas de apostas. Apenas uma conta bancária de Willer chegou a movimentar “aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025”, destaca o relatório.
Em nota enviada ao Estado de S. Paulo no domingo, o senador negou estar sendo investigado no STF. “Os autos que chegaram à Corte sequer foram convertidos em inquérito, não houve manifestação da Procuradoria-Geral da República ou qualquer decisão judicial a respeito. Noticiar como ‘novo inquérito’ o que não passa de um expediente recém-autuado, pendente de análise, distorce a realidade e induz o leitor a erro”, disse.
Filme Dark Horse e o Banco Master
Flávio Bolsonaro é alvo de um inquérito da Polícia Federal que apura suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme Dark Horse junto ao Banco Master. O senador negociou diretamente com o então banqueiro Daniel Vorcaro um contrato de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Cerca de metade do valor foi de fato pago, segundo a PF, até que os desembolsos foram interrompidos com a liquidação do Master em novembro de 2025, após o Banco Central detectar fraudes bilionárias.
Flávio Bolsonaro nega qualquer ilegalidade. “Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida”, afirmou na sexta-feira (15/10), durante sabatina da TV Globo. O inquérito que investiga Flávio pelo filme Dark Horse tramita no gabinete do ministro do STF, André Mendonça.



