Domingo, 1 de novembro de 2026 · São Paulo
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Produção de macadâmia no ES vira doces e chega ao mercado internacional

Município de São Mateus lidera a atividade no estado, segundo maior produtor do país, com cooperativa que recebe 1.600 toneladas de nozes ao ano.

Em resumo

  • São Mateus concentra a maior parte da produção de macadâmia do Espírito Santo, segundo maior produtor do país.
  • Cooperativa criada em 1999 recebe anualmente 1.600 toneladas da noz para beneficiamento e exportação.
  • Além da venda in natura e torrada, produtores investem em mecanização da colheita e em derivados como biscoitos e gelato.

No município de São Mateus, localizado no Norte do Espírito Santo, a produção de macadâmia movimenta uma cadeia que une tradição familiar e tecnologia há mais de três décadas. A cidade concentra a maior parte da produção capixaba da noz, abastecendo uma cooperativa local que recebe anualmente cerca de 1.600 toneladas do fruto. Após o beneficiamento, o produto atende ao mercado brasileiro e é exportado para os Estados Unidos, países da Europa e da América do Sul, além de ser transformado em doces, biscoitos e gelatos.

Como começou o cultivo na região?

A produção de macadâmia começou a ganhar força em São Mateus na década de 1980, período em que a agricultura do Norte do Espírito Santo passava por transformações e os produtores rurais buscavam alternativas para diversificar as atividades no campo. Na época, o governo estadual participou desse processo concedendo subsídios e distribuindo mudas.

O produtor Eliseu Bonomo relatou o cenário daquele período:

“Com a década de 1980, houve uma grande mudança no Espírito Santo, especialmente no Norte do estado, na agricultura. Antes, era muita agricultura familiar e ali foi um período de transformação, onde começaram a chegar novas culturas, novas atividades e muitos foram em busca de novas alternativas agrícolas. E, nesse buscar de novas alternativas, a macadâmia também foi uma delas”

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Apesar dos desafios que levaram diversos produtores a abandonarem o cultivo ao longo dos anos, a atividade teve continuidade de uma geração para outra na família Bonomo.

Quais inovações foram adotadas na colheita?

Ítalo Bonomo deu sequência ao trabalho iniciado pelo pai e passou a investir em tecnologia para otimizar a colheita. Há três anos, a propriedade adquiriu máquinas capazes de recolher do chão as macadâmias que caem das árvores, reduzindo custos e a necessidade de mão de obra direta nessa fase.

Sobre a mecanização, Ítalo afirmou:

“Isso fez com que o nosso trabalho demandasse menos pessoas e também reduziu o custo e ganhou um pouco em qualidade também do serviço. Vem ajudando a gente nesse processo de colheita, que é um processo que demanda bastante pessoas”

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Mesmo com o uso de equipamentos, a etapa manual segue fundamental. A propriedade destina aproximadamente 100 hectares à atividade, mantendo 15 funcionários fixos ao longo do ano, contingente que dobra no período de colheita. Segundo Ítalo:

“Hoje, para trabalhar nessa área de aproximadamente 100 hectares, nós temos 15 funcionários fixos que trabalham o ano todo e, no período de colheita, esse número de funcionários dobra”

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Como o produto ganha valor agregado?

Para expandir os negócios além da venda tradicional da noz in natura, produtores locais passaram a desenvolver derivados. Na fazenda administrada por Ana Paula, a amêndoa é processada para fabricar doces, biscoitos e gelatos. A ideia inicial surgiu com a tia de Ana Paula durante um curso do Empretec.

Ao assumir a gestão da propriedade, Ana Paula decidiu ampliar o projeto:

“Tudo começou com a minha tia fazendo curso do Empretec, em que ela tinha que desenvolver um produto. Como ela também é produtora de macadâmia, ela criou o doce de macadâmia. E eu, em seguida, assim que assumi a administração aqui da fazenda, falei assim: ‘Vou colocar em prática e produzir esse doce para o Brasil e quem sabe para o mundo todo'”

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Ela destacou as possibilidades de comercialização do produto beneficiado:

“A macadâmia é processada, então a gente pega o produto e traz aqui para a mesa para fazer essas delícias, que não é só o doce. Aqui na fazenda nós fazemos o doce, o biscoito e o gelato”

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Qual a relevância do Espírito Santo na produção nacional?

O Espírito Santo ocupa o posto de segundo maior produtor de macadâmia do Brasil, posicionado atrás apenas de São Paulo. Em São Mateus, a organização dos agricultores levou à criação de uma cooperativa no ano de 1999 para compartilhar conhecimentos e estruturar o beneficiamento e a comercialização da noz.

Eliseu Bonomo reforçou a relevância da organização coletiva:

“São Paulo é o maior produtor do Brasil, e nós somos o segundo maior. E aqui, especialmente aqui no Norte do estado, em São Mateus, a gente tem esse trabalho e, através da cooperativa, conseguiu manter e se organizar com esse trabalho que a gente acha muito importante para nós, produtores de macadâmia”

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A cooperativa recebe cerca de 1.600 toneladas anuais de macadâmia, que são tratadas e comercializadas in natura ou torradas para abastecer o mercado nacional e países da Europa, América do Sul e Estados Unidos.

Texto adaptado por Matheus Souza, aluno do 29º Curso de Residência em Jornalismo, sob orientação de Juirana Nobres e edição de Vitor Ferri.

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