Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 · São Paulo
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Partido ultraortodoxo se abstém e enfraquece Netanyahu em Israel

Aliado histórico, o partido UTJ decidiu não recomendar candidato a primeiro-ministro, complicando a articulação política no país.

Em resumo

  • O partido ultraortodoxo UTJ decidiu não recomendar nenhum candidato para formar o próximo governo em Israel.
  • A decisão foi comunicada em 5 de novembro de 2026 ao presidente Isaac Herzog durante consultas no Parlamento.
  • O bloco de Netanyahu conquistou 53 cadeiras, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48 assentos.

O partido ultraortodoxo UTJ (United Torah Judaism), aliado histórico do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), decidiu não recomendar nenhum candidato para formar o próximo governo.

A decisão foi comunicada nesta 5ª feira (5.nov.2026) ao presidente Isaac Herzog, durante consultas com as legendas eleitas para o Parlamento israelense, o Knesset.

Segundo comunicado da Presidência de Israel, a delegação do UTJ participou das consultas no mesmo dia e decidiu não recomendar nenhum parlamentar para receber o mandato de formar o governo.

A decisão representa um revés para Netanyahu, que perdeu a maioria parlamentar nas eleições de 27 de outubro. O bloco liderado pelo Likud, partido do premiê, conquistou 53 cadeiras no Knesset, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48.

Os partidos árabes conquistaram 19 assentos, número recorde. E dificulta ainda mais a articulação política de Netanyahu para permanecer no poder. Isso não significa, necessariamente, apoio do partido à oposição.

Herzog deverá escolher o parlamentar que considerar com melhores condições de formar uma coalizão. O presidente tem até 11 de novembro para definir quem receberá o mandato, em um cenário de impasse político e sem maioria consolidada.

Entenda o sistema e o cenário

Nas eleições nacionais de Israel, os cidadãos votam exclusivamente em partidos (e não em candidatos específicos) para eleger os 120 membros do Knesset. O pleito é o 1º no país desde os ataques de 7 de outubro e o início da guerra em Gaza.

A partir do resultado dessa votação, o presidente, que atua como chefe de Estado, realiza consultas com os partidos eleitos para identificar qual líder político tem a maior probabilidade de formar uma coalizão majoritária de no mínimo 61 deputados. Esse líder assume o cargo de primeiro-ministro e torna-se o chefe de Governo assim que sua coalizão e plataforma política forem oficialmente aprovadas pelo Knesset.

Os 2 blocos apresentaram projetos contrastantes ao eleitorado:

  • coalizão de Netanyahu: liderada pelo Likud, reúne legendas ultraortodoxas de direita, como o Shas, o United Torah Judaism, o Otzma Yehudit e a Religious Zionist Party. A chapa propõe o avanço da reforma judicial, maior influência religiosa no Estado e a consolidação do controle israelense na Cisjordânia e em Gaza;
  • bloco de oposição: liderado por Gadi Eisenkot, conta com o apoio de legendas como Yashar!, Beyachad, The Democrats e Yisrael Beyteinu. O grupo reúne origens ideológicas diversas e defende a criação de uma comissão independente para investigar os eventos de 7 de outubro de 2023, a restauração das relações diplomáticas internacionais de Israel e o combate à violência extremista na Cisjordânia.
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