Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 · São Paulo
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Comissão aprova ampliação de R$ 13,5 bilhões no crédito a exportadores

Medida eleva limite do Plano Brasil Soberano para R$ 28,5 bilhões e segue para votação na Câmara e no Senado.

Em resumo

  • A Comissão Mista aprovou a ampliação de R$ 13,5 bilhões para o Plano Brasil Soberano, destinado a empresas exportadoras.
  • O limite total do programa de financiamento passará de R$ 15 bilhões para R$ 28,5 bilhões, dependendo de aprovação no Congresso.
  • A medida busca responder à elevação de tarifas impostas pelos Estados Unidos e atender à alta demanda por crédito no setor produtivo.

A Comissão Mista da Medida Provisória (MP) 1.379/2026 aprovou nesta quinta-feira (5) a ampliação em até R$ 13,5 bilhões dos recursos do Plano Brasil Soberano destinados a empresas exportadoras e seus fornecedores. A proposta recebeu parecer favorável da senadora Leany Lemos (PSB-DF), com uma emenda, e segue para análise dos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.

A medida altera a Lei 15.473, de 2026, que criou linhas de financiamento para empresas afetadas por tarifas comerciais e instabilidades internacionais. Atualmente, o programa prevê até R$ 15 bilhões em recursos da União. Com a ampliação, o limite poderá chegar a R$ 28,5 bilhões. A tramitação do texto foi acelerada, explicou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), vice-presidente da comissão, devido ao prazo exíguo até a perda de eficácia da MP: o próximo dia 18.

Segundo Randolfe, a medida foi uma resposta a uma “agressão externa”, representada pela elevação de tarifas imposta pelos Estados Unidos. “O Brasil, no universo das nações, desde o seu nascedouro, não quer guerra com ninguém. Mas, ao mesmo tempo, é um país soberano, em que ninguém interferirá ou atacará os nossos cidadãos, as nossas cidadãs e as nossas empresas”, afirmou.

Setores atendidos

O reforço busca atender ao aumento da procura por crédito depois que o Congresso ampliou o alcance do programa. Além da indústria e de seus fornecedores, passaram a ser contempladas empresas exportadoras dos setores agrícola, pecuário, florestal, pesqueiro, aquícola e mineral, incluindo produtos beneficiados e seus fornecedores. Os financiamentos podem ser usados para investimentos, compra de máquinas, apoio às exportações e capital de giro.

Segundo o parecer, as duas primeiras edições do Plano Brasil Soberano aprovaram mais de R$ 27 bilhões em financiamentos, distribuídos em mais de 1.700 operações. Na terceira edição, a demanda já supera R$ 10 bilhões, com cerca de R$ 7,7 bilhões aprovados em mais de 560 operações. Ao defender a proposta, Leany Lemos ressaltou a importância de manter uma estrutura de financiamento público capaz de apoiar o setor produtivo em situações de crise.

“É nesses momentos muito críticos que isso mostra a importância de você ter um sistema de fomento estruturado, como nós temos no Brasil: o BNDES, o Basa, o BNB, o BRDE, do qual eu fui presidente, o Bandes e o BDMG, que são os nossos bancos de desenvolvimento”, argumentou. A proposta permite combinar os recursos da União com dinheiro próprio do BNDES, aumentando a capacidade de financiamento sem custo adicional para o Tesouro Nacional.

Fonte de recursos

A relatora retirou do texto original a exigência de que os R$ 13,5 bilhões adicionais fossem provenientes exclusivamente de valores devolvidos à União. Com a mudança, o governo poderá indicar outras fontes de recursos durante o processo orçamentário. O limite adicional permanece em R$ 13,5 bilhões, e a liberação do dinheiro continuará dependendo de autorização e previsão no Orçamento. A senadora ressaltou que os financiamentos são reembolsáveis e que o risco de crédito é assumido pelo BNDES e pelas instituições financeiras habilitadas.

O parecer rejeitou cinco emendas apresentadas à medida provisória, incluindo propostas de reserva de recursos para micro, pequenas e médias empresas e a criação de um fundo permanente. A relatora considerou que tais medidas poderiam reduzir a flexibilidade na distribuição dos recursos ou impor exigências que atrasariam a concessão dos empréstimos.

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