Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo
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Irã e Rússia nunca trabalharam tão próximos, diz chanceler iraniano

Declaração foi feita nesta terça-feira (20) após Abbas Araghchi receber o chanceler russo, Sergei Lavrov, com foco em cooperação econômica e nuclear.

Em resumo

  • Abbas Araghchi afirmou nesta terça-feira (20) que Irã e Rússia nunca trabalharam tão próximos.
  • Os ministros focaram na ampliação da cooperação econômica e nuclear durante encontro.
  • Os EUA suspenderam ataques ao Irã até as eleições de meio de mandato em 3 de novembro.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira (20) que seu país e a Rússia nunca trabalharam tão próximos. Após receber o chanceler russo, Sergei Lavrov, o iraniano afirmou na rede social X que os dois se concentraram em ampliar a “cooperação econômica e nuclear” durante a visita.

“Nunca em nossa história, Irã e Rússia fizeram trabalhos tão próximos como agora. Abordamos tudo, da Europa até à Ásia Ocidental, incluindo Líbano, Palestina, Ucrânia e Iêmen. Também nos concentramos na ampliação da cooperação económica e nuclear”, escreveu Araghchi.

Antes da visita, ainda em Moscou, Lavrov declarou que a ida ao Irã tinha como objetivo “impedir o retorno de uma guerra de grande magnitude”, em um momento de impasse nas negociações entre Teerã e Washington. O presidente russo, Vladimir Putin, disse recentemente ao seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, que está disposto a ajudar nos esforços de mediação. Rússia e Irã têm uma parceria firmada em um acordo assinado em janeiro de 2025 que prevê “cooperação nas áreas de energia, meio ambiente e questões de defesa e segurança”.

Em setembro, uma reportagem do jornal “Financial Times” dizia que a Rússia está ajudando secretamente o Irã a desenvolver uma nova geração de mísseis de cruzeiro supersônicos. Em julho, a agência Reuters revelou que analistas de inteligência dos Estados Unidos investigavam se a Rússia havia ajudado o Irã com informações de mira ou tecnologia avançada para drones usados em ataques contra instalações da CIA no Oriente Médio.

Os Estados Unidos decidiram suspender os ataques contra alvos iranianos até o fim das eleições legislativas de meio de mandato — as midterms, marcadas para 3 de novembro. Em uma publicação no começo de outubro, o presidente do país, Donald Trump, descartou novos ataques contra o país persa até o final do mês e disse que Washington e Teerã estão tendo “discussões produtivas”.

“Quero deixar claro para todos que, embora o Irã esteja em péssimas condições, tanto econômica quanto militarmente, e embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, (…) não atacaremos o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato que serão realizadas nos Estados Unidos”. No dia 15, no entanto, a imprensa americana noticiou que os EUA têm planos de ataque contra o Irã que podem usar a bomba GBU-43/B, conhecida como “mãe de todas as bombas”. Depois da publicação do presidente, o Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra o Irã, visando dezenas de pessoas, entidades e embarcações. Apesar da suspensão dos ataques, não há nenhum acordo de trégua vigente entre os países.