Terça-feira, 27 de outubro de 2026 · São Paulo
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Ian Bremmer: ‘Se Lula não agir rápido na economia, o mercado vai castigá-lo duramente’

Cientista político analisa vitória de Lula, maioria conservadora no Congresso, desafios econômicos e a necessidade de enfrentar crises institucionais.

Em resumo

  • Lula venceu o segundo turno por 4 milhões de votos após virada nas pesquisas.
  • Bremmer alerta que os mercados vão castigar Lula severamente se ele não agir rápido na economia.
  • O especialista aponta a idade de Lula, a maioria direitista no Congresso e a crise no STF como grandes desafios.

Um mês antes do primeiro turno, Ian Bremmer conversou com a BBC News Brasil e previa um leve favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dado o peso da máquina do governo. As pesquisas viraram, Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno à frente em quase todos os levantamentos — e Lula, mesmo assim, virou o jogo no domingo (25/10) e venceu por 4 milhões de votos.

Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, a maior consultoria de risco político do mundo, ficou surpreso. "Mas não chocado", diz. "O Brasil não é para amadores." Na segunda entrevista à BBC News Brasil, feita horas depois do resultado do segundo turno, o cientista político faz uma avaliação crua do que vem pela frente. Os mercados reagiram mal, e Bremmer acha que a punição será severa se Lula não mudar o tom rapidamente.

O Congresso eleito é de maioria de direita. E o Supremo Tribunal Federal (STF), mergulhado na crise do escândalo do banqueiro Daniel Vorcaro, é um problema que Lula terá de enfrentar de frente — "um dano severo à democracia brasileira" se não o fizer. Sobre Flávio Bolsonaro, que inicialmente pediu a anulação da eleição antes de recuar, Bremmer não poupa palavras: "É patético. É o oposto de liderança".

O que dizia a dinâmica da eleição?

E sobre a expectativa de que a vitória de Lula seja um símbolo global contra a direita, ele é cético. "Uma eleição não muda uma tendência." Bremmer também é direto sobre a idade de Lula, que completa 81 anos nesta terça-feira (27/10). "Eu não acho que um homem de 81 anos deveria estar dirigindo um país tão importante quanto o Brasil."

Questionado sobre o que fez a diferença para Lula obter 10 milhões de votos a mais do que no primeiro turno, o especialista apontou o medo da classe trabalhadora de perder benefícios sociais. "O mercado o adorava. Queria reduzir impostos para os mais ricos. Falava em responsabilidade fiscal. E os trabalhadores viram no Lula alguém que, mesmo que não amassem, mesmo que achassem corrupto, ainda era um deles", afirmou.

Reação dos mercados e futuro político

Sobre a reação negativa dos mercados, Bremmer avalia que é um problema real com juros e serviço da dívida subindo, alertando que o governo será duramente castigado caso não mude o tom rapidamente. Ele também pontuou que o Brasil precisa avançar em inteligência artificial e lidar com a crise do Judiciário ligada ao Banco Master, ressaltando que, embora Lula tenha feito um trabalho fantástico no desmatamento, os desafios institucionais e econômicos são imensos.

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