Terça-feira, 27 de outubro de 2026 · São Paulo
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Documento do CAS agita Libertadores 2026; Flamengo mira vaga na final

Entenda o documento da Corte Arbitral do Esporte sobre Marcos Rojo que gerou impasse jurídico entre Estudiantes e Flamengo na Libertadores.

Em resumo

  • A Corte Arbitral do Esporte (CAS) autorizou cautelarmente a participação de Marcos Rojo pelo Estudiantes na Libertadores.
  • O Flamengo contesta a escalação e aguarda julgamento no CAS para tentar reverter sua eliminação na semifinal.
  • A final da Libertadores está marcada para o dia 28 de novembro de 2026, em Montevidéu, no Uruguai.

A Libertadores 2026 foi parar nos tribunais com o caso Marcos Rojo. Enquanto o Flamengo vê esperança de reverter sua eliminação, na Argentina o Estudiantes demonstra não temer perder sua vaga na final contra o Palmeiras. Mas, afinal, o que está escrito no documento que a Corte Arbitral do Esporte (CAS) enviou para o clube argentino e autorizou o zagueiro a entrar em campo?

O documento da medida cautelar, assinado por Antonio de Quesada, do CAS, traz a seguinte decisão:

"O interesse do jogador em preservar uma oportunidade esportiva de especial relevância que talvez não volte a ter prevalece, a efeitos cautelares, sobre os interesses apresentados para impedir sua participação. A aparência de bom direito da apelação tem relevância nesta ponderação e a inclina em favor do jogador. Diante do teor das normas da própria Conmebol e das dúvidas que ela manifestou sobre sua aplicação, a presidente adjunta não aprecia que permitir cautelarmente a participação do jogador no encontro comprometa a integridade da competição. A eventual incidência da participação do jogador na partida não basta por si só para inclinar o equilíbrio de interesses em desfavor da concessão da medida cautelar."

O texto acrescenta:

"Por último, a solicitação de medidas cautelares se estima só parcialmente, sendo rejeitada a seguinte pretensão: ‘Determine que a participação do jogador, em conformidade com esta ordem, não poderá ser invocada pela Conmebol como fundamento para sanção esportiva ou disciplinar contra o clube ou o jogador’. Esta pretensão se refere a uma eventual atuação sancionadora que não ocorreu e que poderia não vir a ocorrer. Não procede, no âmbito desta solicitação cautelar, antecipar um pronunciamento sobre uma situação meramente hipotética. Sua rejeição não implica reconhecer o cabimento de uma eventual sanção, nem prejulgar as questões que poderiam surgir caso ela venha a ser imposta. No entanto, corresponde ao Estudiantes e ao jogador realizar uma avaliação de riscos em caso do laudo final do CAS não confirme a elegibilidade do jogador"

O Flamengo, citado no processo pelo próprio Estudiantes antes da semifinal, chegou a enviar uma resposta ao CAS e ao Estudiantes se mostrando contrário à escalação de Rojo, que foi contratado com a janela de transferências fechada na Argentina. Em documento do dia 21 (quarta-feira passada), o clube registrou:

"Subsidiariamente, registre-se expressamente que a eventual participação do Sr. Rojo ocorrerá por conta e risco exclusivos do Estudiantes e sem prejuízo dos direitos do Flamengo, incluindo o de apresentar reclamação por escalação irregular, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, bem como o de obter as consequências esportivas cabíveis, conforme a decisão final"

Nos bastidores, o clima é de otimismo para os dois lados. Na Argentina, a imprensa destaca que não há temor na diretoria do Estudiantes de perder a vaga na final. E no Brasil, o Flamengo internamente se mostra confiante em obter os pontos da segunda partida da semifinal e reverter sua eliminação. Em entrevista coletiva na última segunda-feira, após a vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG no Maracanã, o técnico Jardim foi perguntado sobre o tema e disse acreditar na possibilidade de estar na final: — Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar — resumiu.

O Flamengo se baseia em alguns precedentes da Conmebol para casos de jogadores irregulares, entre eles dois casos envolvendo clubes brasileiros: o Santos em 2018, que foi eliminado nas oitavas de final após ter escalado o meia Carlos Sánchez; e a Chapecoense, que acabou sem chances de passar da fase de grupos ao perder os pontos pela escalação do zagueiro Luiz Otávio. A diretoria rubro-negra aguarda o caso Rojo ser julgado no CAS, o que ainda não tem data para acontecer. A final da Libertadores será daqui a um mês, no dia 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.

Eliminado nos pênaltis na semifinal da Libertadores após um 0 a 0 no Maracanã, o Flamengo foi incluído como parte do processo do Estudiantes na Corte Arbitral do Esporte (CAS) para a liberação de Marcos Rojo na véspera do confronto de volta, no Maracanã. Por isso, avisou que se o jogador fosse escalado iria reivindicar os pontos da partida. O clube argentino entrou em campo ciente da possibilidade. Rojo estava no Racing e teve uma transferência conturbada, rompendo relações com o presidente Diego Milito. O Estudiantes, desesperado porque perdeu dois titulares da defesa (Pirez e Tomás Palacios), suspensos para o primeiro jogo da semifinal, pagou US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) para concluir a contratação, além de assumir bônus de mais US$ 250 mil (R$ 1,2 milhão) se conseguisse a classificação para a final e de US$ 450 mil (R$ 2,2 milhões) em caso de título.

Rojo, porém, foi contratado após o fim da janela de transferências na Argentina. A Associação de Futebol Argentino (AFA) permitiu sua inscrição no campeonato nacional no lugar do lesionado Gabriel Neves. A Conmebol, por outro lado, rejeitou por duas vezes a inscrição na Libertadores, o que levou o Estudiantes a recorrer ao CAS, que é o tribunal da Fifa.

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