Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · São Paulo

FMI fecha acordo com a Argentina e pode liberar US$ 900 milhões

Repasse de cerca de US$ 900 milhões depende da aprovação do conselho executivo do FMI após a terceira revisão do programa.

Em resumo

  • FMI e Argentina fecharam acordo para liberar cerca de US$ 900 milhões ao país.
  • O repasse ainda depende da aprovação do conselho executivo da instituição.
  • As reservas internacionais líquidas superaram em cerca de US$ 4 bilhões a meta para o fim de junho.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Argentina chegaram nesta terça-feira (27) a um acordo que pode liberar cerca de US$ 900 milhões ao país (R$ 4,8 bilhões). O repasse, no entanto, ainda depende da aprovação do conselho executivo da instituição. O valor faz parte do programa de financiamento de US$ 20 bilhões firmado entre a Argentina e o FMI em 2025. A liberação dos US$ 900 milhões está ligada à terceira revisão do programa, em que o fundo verifica o cumprimento das metas acertadas com o país.

Na avaliação do FMI, a economia argentina apresentou avanços desde a última análise. A instituição destacou a continuidade da desaceleração da inflação e o aumento das reservas internacionais, que ficaram acima do previsto no programa.

Na prática, os recursos ajudam a reforçar as reservas internacionais da Argentina. Esse estoque de dólares é importante para o país pagar compromissos no exterior e dá mais fôlego ao governo de Javier Milei para flexibilizar as restrições ao uso da moeda americana.

Histórico de repasses do programa

Desde o início do programa de US$ 20 bilhões, o FMI já desembolsou cerca de US$ 15,8 bilhões à Argentina. Se a nova parcela for aprovada, outros US$ 900 milhões ficarão disponíveis ao país.

Relembre os repasses:

  • Abril de 2025: US$ 12 bilhões, liberados na aprovação do programa.
  • Julho de 2025: cerca de US$ 2 bilhões, após a primeira revisão.
  • Maio de 2026: cerca de US$ 1 bilhão, após a aprovação da segunda revisão. À época, o FMI informou que, com o desembolso, o total acumulado chegou a cerca de US$ 15,8 bilhões.
  • Outubro de 2026: cerca de US$ 900 milhões, ainda sujeitos à aprovação.

O que o FMI diz sobre a economia argentina

Um dos principais avanços apontados pelo FMI está nas reservas internacionais da Argentina, uma espécie de colchão de dólares do país. No comunicado divulgado nesta terça-feira, a instituição destacou que as reservas líquidas superaram a meta estabelecida no programa.

“Como resultado, as reservas internacionais líquidas superaram em cerca de US$ 4 bilhões a meta para o fim de junho, e o Banco Central comprou quase US$ 16 bilhões até agora neste ano”, afirmou o FMI.

A recomposição das reservas é uma das frentes acompanhadas pela instituição dentro do programa de financiamento. O ajuste também passa pelas contas públicas. Na área fiscal, o governo argentino deverá buscar um superávit primário de 1,4% do PIB em 2026 e manter esforço semelhante em 2027, destacou o FMI. Na prática, significa arrecadar mais do que gastar, sem considerar os juros da dívida.

Para os próximos meses, a instituição afirma que a Argentina deverá continuar reforçando suas reservas e buscando fontes de financiamento. O FMI acrescentou ainda que as autoridades se comprometeram a preparar o país para voltar ao mercado internacional.

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