O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou, nesta 6ª feira (30.out.2026), que o Brasil tenha solicitado explicações a Buenos Aires sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de seguir para os Estados Unidos. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia informado, na 5ª feira (29.out), que solicitou esclarecimentos à Argentina acerca do papel da gestão de Javier Milei na saída do senador do país. Segundo o Planalto, a demanda foi apresentada em conversa com a encarregada de negócios da Embaixada argentina, a ministra-conselheira Emilia Cortés.
Quirno utilizou a rede social X para rebater uma publicação do jornal argentino La Nación, que noticiava a cobrança do governo brasileiro. “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, afirmou o chanceler. Informações apuradas indicam que a convocação da representante argentina estava sendo avaliada pelo Itamaraty ao longo da semana. O Poder360 reportou na 5ª feira (29.out.2026) que a pasta considerava convocar a encarregada de negócios ou que o chanceler Mauro Vieira solicitasse explicações diretamente a Quirno.
Entenda o caso
Lula foi reeleito no domingo (25.out), com cerca de 64 milhões de votos. Dois dias depois, Flávio deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu de jato para Miami, com escala no Equador, chegando aos EUA na 4ª feira (28.out) acompanhado da mulher e das filhas. O senador estava com os passaportes cancelados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a Polícia Federal apura como ele deixou o país.
Inicialmente, o governo Milei negou a entrada de Flávio no território. Posteriormente, o órgão de Migração argentino confirmou que ele cruzou a fronteira com a família. Segundo o jornal Perfil, o voo custou US$ 140 mil e foi pago por um corretor americano. O The New York Times noticiou que a aeronave foi providenciada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, enquanto o Clarín relatou a presença de Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, em Puerto Iguazú na noite do embarque. O site Urgente24 afirmou que a polícia aeroportuária argentina escoltou o grupo.
Em Miami, Flávio divulgou uma carta na qual não reconhece o resultado das eleições, alegando, sem provas, que o pleito foi fraudado e autodeclarando-se “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, substituiu a expressão por “líder do Brasil”. Segundo a colunista Mariana Sanches, do UOL, a alteração ocorreu após pressão do Departamento de Estado americano.



















