Sábado, 31 de outubro de 2026 · São Paulo
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Amazonas tem 47 municípios em emergência devido à estiagem e 15 em alerta

Chuva recente não foi suficiente para alterar o cenário crítico dos rios; estado enfrenta dificuldades no transporte e no atendimento a comunidades.

Em resumo

  • Amazonas registra 47 municípios em situação de emergência e 15 em alerta devido à seca.
  • A descida das águas prejudica o transporte fluvial e o atendimento de saúde em comunidades ribeirinhas.
  • Especialistas do Inpa alertam para a possibilidade de secas graves e cheias pequenas nos próximos anos.

Todos os municípios do Amazonas sofrem atualmente com os efeitos da estiagem. Mesmo com a ocorrência de chuvas fortes nas últimas horas, que trouxeram alívio para o calor, o cenário dos rios permanece inalterado. O estado contabiliza 47 municípios em situação de emergência e outros 15 em estado de alerta.

Em Lábrea, a situação é crítica, com barcos encalhando em afluentes do Rio Purus, um dos mais secos da região. A dificuldade de navegação tem impactado diretamente o trabalho das equipes de saúde, que enfrentam obstáculos para levar atendimento às comunidades ribeirinhas.

Na capital, Manaus, os impactos da descida das águas já atingem seis bairros e pelo menos 88 comunidades rurais e ribeirinhas. Áreas que, durante o período de cheia, são cobertas pelo Rio Amazonas, agora apresentam apenas vegetação e lama. Moradores relatam que o cenário atual é comparável apenas às secas severas de 2023 e 2024, as maiores já registradas.

Previsões e desafios

Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Sena, a estiagem é grave. Embora a estação chuvosa se aproxime, a recuperação dos rios depende de um volume maior de água em toda a bacia amazônica, e os efeitos do El Niño geram preocupação.

“A gente já tem a perspectiva que isso vai acontecer, 2026 para 2027 terá uma estação chuvosa muito deficitária, deveremos ter pouca precipitação nas bacias amazônicas, uma cheia pequena e uma seca grave novamente”, afirma Renato Sena.

A rotina de quem depende dos rios tornou-se arriscada. O condutor de embarcação José Moraes relata os perigos da navegação em águas baixas: “O risco é você dar uma encalhada na lama, bater a palheta em um pau, em uma pedra, porque qualquer pau quebra uma palheta de alumínio”. A funcionária pública Ana Cláudia reforça a dificuldade enfrentada pelos moradores locais: “Muita dificuldade, porque a gente, para fazer compra do mês, passa por todo esse processo da seca. E não tem como o ribeirinho sair dessa assim”.

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