Reeleita para comandar o Distrito Federal por mais quatro anos, a atual governadora Celina Leão (PP) vai iniciar o novo mandato diante de dois desafios centrais na área econômica: administrar a crise envolvendo o BRB e reequilibrar as contas públicas do DF. Os desafios não têm apenas relação temática: são ligados diretamente. Isso, porque o próprio governo do DF reconhece que o BRB precisa de um empréstimo bilionário para se salvar. E, como acionista majoritário, caberia ao próprio governo quitar essa dívida no médio prazo.
A crise do Banco de Brasília (BRB) foi causada pelas negociações e operações malsucedidas com o Banco Master. Em março de 2025, o banco público anunciou a intenção de comprar parte da instituição privada. A operação previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Master, após autorização aprovada pela Câmara Legislativa do DF. No fim de outubro, a Polícia Federal indiciou 15 suspeitos de participação nas condutas ilegais, incluindo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e ex-diretores do banco público de Brasília.
O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB e, por isso, precisa garantir que o banco cumpra as regras do sistema financeiro e mantenha níveis adequados de capital. Celina Leão sempre procurou se distanciar das operações que envolveram o BRB e o Banco Master. A governadora afirmou que não participou das negociações e que era contrária à operação. Quando se tornou governadora do GDF, Celina passou a defender medidas para recuperar o banco e afirmou que “assumiu o problema do BRB”. Hoje, o principal problema a ser resolvido no BRB é patrimonial. O banco precisa recompor o capital perdido com as operações envolvendo o Banco Master e voltar a cumprir os limites prudenciais exigidos pelo Banco Central.
Em entrevista a TV Globo após a vitória nas urnas, a governadora comentou sobre a divulgação do balanço do BRB. O documento não é divulgado desde novembro de 2025. A governadora negou que a divulgação do documento estivesse atrelado à reeleição. "Esteve sempre atrelado ao empréstimo que nós estamos construindo", concluiu. O banco estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos comprados sejam inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Para reforçar o capital da instituição, o GDF busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões.
O GDF recorreu ao STF para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinado à recomposição do patrimônio do BRB. Até agora, porém, os recursos não foram liberados. O governo federal já informou que não pode dar garantia a essa operação, mas o DF vem insistindo no pedido. Celina também disse que tratativas com bancos árabes estão em andamento. Em relação ao Banco de Brasília (BRB), o plano de governo de Celina afirma que a gestão deverá buscar a solidez financeira da instituição, ampliar a transparência e os controles internos e preservar o patrimônio público.
Além da crise do BRB, as contas públicas do Distrito Federal são outro desafio para o próximo mandato de Celina Leão (PP). Desde que assumiu o governo, em março, a governadora anunciou cortes de gastos, revisão de contratos e medidas de contenção de despesas, além de afirmar que encontrou um “rombo bilionário” nas finanças do DF. Ao longo dos meses, o governo apresentou diferentes números para dimensionar o desequilíbrio e, ao mesmo tempo, passou a projetar melhora no resultado das contas. O plano de governo de Celina Leão não estabelece metas fiscais ou apresenta números específicos para receitas, despesas ou investimentos.
Em 16 de setembro, Celina Leão protocolou na CLDF o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A proposta estimou receitas e despesas em R$ 49,797 bilhões no orçamento próprio do DF. O documento foi elaborado sob a premissa de não trabalhar com meta de déficit. A orientação da Secretaria de Economia foi fixar despesas compatíveis com as receitas efetivamente estimadas e com a capacidade financeira do DF. Além do orçamento próprio, a Secretaria de Economia estimou R$ 30,32 bilhões do Fundo Constitucional do DF, elevando o conjunto de recursos previsto para 2027 a cerca de R$ 80,12 bilhões. Em setembro, Celina Leão também afirmou que uma eventual mudança no cálculo do Fundo Constitucional poderia retirar R$ 1,8 bilhão do orçamento do DF em 2027.


















