Sábado, 31 de outubro de 2026 · São Paulo
Publicidade
Publicidade

Estudante é ameaçado de morte no Distrito Federal por escolha política

Menino de 17 anos recebeu áudio com ameaça de morte em grupo de WhatsApp de turma escolar no Distrito Federal durante apuração das eleições.

Em resumo

  • Aluno de 17 anos recebeu áudio com ameaça de morte em grupo de WhatsApp no Distrito Federal.
  • Agressor proferiu insultos políticos após o candidato Luiz Inácio Lula da Silva passar à frente na apuração.
  • Direção da escola transferiu o autor das ameaças e suspendeu por quatro dias o aluno que apoiou as mensagens.

Um estudante de 17 anos, identificado pelo nome fictício de Felipe, foi alvo de uma ameaça de morte por sua opção política em uma escola no Distrito Federal, ocorrência registrada durante a apuração dos votos da eleição presidencial. O caso veio à tona após o recebimento de uma mensagem de áudio em um grupo de WhatsApp formado por alunos de sua turma, no momento em que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva passou à frente na contagem dos votos.

“Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”, dizia o áudio enviado ao adolescente. Antes de proferir a ameaça de morte, o agressor disparou insultos de cunho político contra a vítima, declarando: “você votou foi no Lula, seu esquerdista desgraçado”.

Conforme os registros aos quais se teve acesso, o mesmo estudante autor das ofensas também escreveu no grupo que, caso o candidato Flávio Bolsonaro perdesse o pleito, pretendia espancar outros cinco colegas, acrescentando a ameaça com a frase “só na faca”. Na sequência da conversa virtual, um segundo adolescente reagiu curtindo as mensagens e enviando figuras com expressões de risadas.

Intolerância e impactos emocionais

Além das ameaças de violência física e morte, o autor das mensagens proferiu ofensas caracterizadas como intolerância religiosa contra os estudantes. Felipe, que é um adolescente transgênero, nunca havia sofrido episódios de transfobia no ambiente escolar, segundo o relato de sua mãe, Aline, nome fictício utilizado para preservar a identidade da família. Tanto a mãe quanto o jovem demonstraram espanto diante da manifestação de ódio motivada por questões político-partidárias.

“A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio”, afirmou Aline.

Em decorrência das agressões verbais e das ameaças recebidas, o estudante permaneceu a semana inteira sem frequentar as aulas e expressa receio quanto ao retorno à instituição de ensino na segunda-feira. Apesar da gravidade da situação narrada, a família optou por não registrar um boletim de ocorrência policial no momento, motivada pelo receio de que o adolescente seja exposto publicamente ou sofra novas retaliações.

Medidas adotadas pela instituição

Ainda de acordo com o relato da mãe do aluno ameaçado, a diretoria da escola tomou providências administrativas em relação aos envolvidos no episódio de violência virtual. O estudante responsável pelo envio dos áudios com as ameaças de morte e ofensas políticas foi transferido de estabelecimento de ensino. Por sua vez, o aluno que concordou com as mensagens e reagiu com deboche recebeu uma suspensão com duração de quatro dias.

O episódio se soma a uma série de casos de violência contra crianças e adolescentes que têm sido relatados nas redes sociais nas últimas semanas, todos associados às escolhas políticas dos próprios jovens ou de seus familiares. Tais ocorrências englobam um espectro amplo de condutas agressivas, que vão desde ofensas verbais e chacotas cotidianas até agressões físicas diretas e graves ameaças de morte.

Siga o portal
Publicidade
Publicidade
Publicidade