Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 · São Paulo
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Alexa+ acerta nome, conversa melhor e ganha força com tela

Assistente da Amazon com inteligência artificial apresenta diálogos mais naturais, mas ainda exibe propagandas e limitações.

Em resumo

  • A Alexa+ agora acerta o nome do usuário, conversa de forma mais natural e responde a perguntas menos previsíveis utilizando a internet.
  • Dispositivos com tela, como o Echo Show 8, ganham utilidade extra com previsão do tempo, integração com câmeras e porta-retratos digital.
  • A assistente ainda exibe sugestões aleatórias de receitas e esbarra em questões de privacidade ao exigir acesso a e-mails e dados pessoais.

A Alexa+ finalmente acertou meu nome. Depois de me chamar de “Henque”, “Renque”, “Henquique” e outras variações, a assistente da Amazon passou a dizer corretamente: “Olá, Henrique, bom dia. Como posso ajudar?”. Pode parecer um detalhe, mas o episódio ajuda a mostrar o que mais chama atenção na nova fase da Alexa com inteligência artificial: a tentativa de soar mais natural e próxima do usuário. Ou que algum desenvolvedor tomou uma bronca e corrigiu o problema após meu primeiro teste com a plataforma. Mistérios da tecnologia cuja resposta nunca saberei.

Após usar a assistente apenas por voz, troquei o aparelho de testes. Saí de um Echo Studio, caixa de som sem tela (um modelo antigo da marca; o mais novo custava R$ 1.700 no começo de novembro), para um Echo Show 8, modelo com display de 8,6 polegadas e som potente emprestado pela fabricante, também na mesma faixa de preço. A experiência foi um pouco diferente.

Como disse no primeiro teste, o principal atrativo da Alexa+ é a conversa. A nova assistente responde de forma mais elaborada, entende perguntas menos previsíveis e consegue recorrer à internet para montar respostas mais úteis. Isso faz diferença em situações em que a Alexa tradicional travava ou entregava respostas genéricas demais. Foi o que aconteceu quando perguntei algo bastante específico: “Alexa, tem pernilongos em Poços de Caldas–MG?” A assistente buscou informações na web, disse que a prefeitura da cidade mantém um programa de erradicação de mosquitos e ainda recomendou levar repelente, por precaução. Pareceu legítimo (fui checar, e era verdade).

Pedi para tocar o podcast “O Assunto”. De primeira, ela não encontrou – faltava o contexto “podcast O Assunto do g1”. Depois, reproduziu os programas sem problemas. No Echo Show 8, a Alexa+ ganha uma camada extra de utilidade por conta da tela. A tela exibe previsão do tempo com mais detalhes, mostra informações da casa inteligente e também permite usar o aparelho como porta-retratos digital. E é um relógio digital que não fica desregulado quando a luz falha, como no micro-ondas. Ainda há integração com alguns aplicativos e dispositivos conectados.

No meu caso, a campainha de casa é um “olho mágico digital”. Quando alguém toca, o alerta com imagens da câmera aparece no celular e também na tela do Echo Show 8. Tem seu lado negativo também. Em vários momentos, a Alexa+ exibiu sugestões de conteúdo aleatório sem eu pedir. A assistente passou a recomendar receitas na tela com frequência, como lasanha, “cupim à indiana”, doces com bacon e linguiça grelhada, para ficar em alguns exemplos. Essas indicações podem até ser úteis para alguns usuários, mas, na prática, também passam a sensação de vitrine para compras na loja virtual da Amazon. Outro limite está no envio de fotos para usar o aparelho como porta-retratos: a quantidade de imagens aceitas é restrita, o que reduz o apelo da função.

No lançamento da Alexa+, a Amazon destacou recursos mais ambiciosos, como a possibilidade de a assistente montar roteiros de viagem ou resumir documentos recebidos por e-mail. Estas funções apontam para um uso mais proativo da assistente, mas esbarram na questão da privacidade. No meu teste, preferi não conectar a conta de e-mail. A razão é simples: não faz sentido vincular informações pessoais ou profissionais sensíveis a um dispositivo desse tipo. No caso de uma família grande que precisa de mais organização de agendas – quem leva os filhos para a escola, consultas médicas, treino de futebol, por exemplo – talvez essa funcionalidade da Alexa+ faça mais sentido. Não é meu caso.

A Alexa+ representa um avanço claro em relação à versão anterior, principalmente pela conversa mais natural e pela capacidade de responder perguntas menos óbvias. E de acertar meu nome, claro. Combinada a um aparelho com tela, como o Echo Show 8, ela fica mais útil no dia a dia, sobretudo para quem já usa dispositivos de casa inteligente. A qualidade do som, independentemente do uso da Alexa+, é excelente no pequeno dispositivo. A Alexa+ melhora onde mais importava: falar e entender melhor o contexto. Ainda assim, a experiência não é totalmente redonda. A interface exibe informações de forma um tanto dispersa, há limitações em algumas funções e parte dos recursos mais avançados depende de um nível de confiança com dados pessoais que nem todo usuário vai querer oferecer.

A Alexa+ ainda não está disponível para todos os usuários da assistente virtual e segue em fase de testes para convidados ou donos de aparelhos novos compatíveis. Veja a seguir uma lista de dispositivos Amazon Echo que rodam Alexa+. Os preços, consultados no início de novembro, iam de R$ 500 a R$ 1.900 nas lojas on-line pesquisadas. Amazon Echo Show 8, Amazon Echo Studio, Amazon Echo Dot e Amazon Echo Dot Max.

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