Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo

Amyr Klink ganha filme e explica por que não ajudou filha navegadora

Navegador de 71 anos fala sobre a estreia de 100 Dias, sua relação com a filha Tamara e os desafios de cruzar os oceanos hoje.

Em resumo

  • O filme 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha e estrelado por Filipe Bragança, estreia nos cinemas em 29 de outubro.
  • Amyr Klink revelou que ajudou a filha Tamara Klink, de 29 anos, com zero centavos e pouquíssima informação em sua trajetória no mar.
  • Aos 71 anos, o navegador administra uma marina em Paraty (RJ) e realiza palestras pelo país.

Os remos que cobrem toda a parede da sala de estar não deixam Amyr Klink esquecer de sua trajetória recordista nos mares. Mas agora ele também terá um filme para se lembrar de quando entrou no Livro Guinness dos Recordes ao cruzar a remo o Oceano Atlântico, da Namíbia, na África, até o Brasil, em Salvador. Com direção de Carlos Saldanha, de A Era do Gelo e Rio, 100 Dias estreia nos cinemas em 29 de outubro. Filipe Bragança, que viveu Sidney Magal na cinebiografia Meu Sangue Ferve por Você, interpreta Klink.

Em entrevista à BBC News Brasil por videoconferência, Klink, de 71 anos, relembrou a travessia e debateu as vantagens e os desafios de navegar em tempos de tanta tecnologia e, ao mesmo tempo, de um clima cada vez mais instável e perigoso. O navegador, que hoje viaja pelo país dando palestras e administra uma marina em Paraty (RJ), falou ainda da relação com uma de suas filhas, Tamara Klink, de 29 anos, e contou por que decidiu não apoiá-la em sua trajetória no mar.

“Ajudei ela com zero centavos, com pouquíssima informação, para que ela entendesse que precisava fazer a história dela, não herdar a história do pai”, disse. “As tecnologias que eu tinha eram muito precárias, e hoje os recursos são espetaculares. É outro universo. Ela tinha que aproveitar esses recursos.”

Questionado se assistiu ao filme e o que achou, Amyr Klink respondeu: “Assisti. Fiquei impressionado com o preciosismo do diretor Carlos Saldanha em reproduzir detalhes da viagem que talvez eu não tenha reproduzido no meu livro.” Sobre a solidão, afirmou que foi uma delícia e uma baita escola para as viagens seguintes, destacando que a maior pressão foi a preparação e as dificuldades burocráticas, já que a Namíbia vivia sob o regime do apartheid e era ocupada pela África do Sul.

Klink também comentou sobre a atuação de Filipe Bragança: “Fiquei surpreso com o desempenho do Filipe Bragança. Não o conhecia, mas vi o filme em que ele interpretou Sidney Magal e, quando vi aquela potência, sabia que daria certo. Fico até confuso quando vejo as imagens do filme, se sou eu 40 anos atrás ou se é ele.” Sobre a filha Tamara, ele pontuou que adoraria que ela não tivesse escolhido este caminho por ser de altíssimo risco, mas reforçou o orgulho por ela ter construído a própria história.

Aos 71 anos, Klink revelou que seus sonhos atuais envolvem casas flutuantes e que sua atividade econômica continua baseada no mar. “Meu escritório em Paraty é sobre o mar, não sobre a terra. Eu gosto muito do que faço”, concluiu.