Alunos do curso de Medicina foram expulsos de uma faculdade particular de Maringá, no Norte do Paraná, após realizarem ataques a bolsistas e compartilharem referências ao nazismo em um grupo de mensagens. As interações ocorreram após o resultado das Eleições de 2026, em que Lula foi reeleito presidente do Brasil.
A UniCesumar, instituição onde os estudantes estão matriculados, informou no sábado (31) que adotou medidas disciplinares contra os envolvidos. Além das expulsões, a faculdade aplicou suspensões e advertências, “de acordo com a gravidade das condutas”. A universidade não detalhou o número de alunos punidos em cada categoria.
As mensagens foram enviadas no domingo (25) em um grupo da turma. Em um dos registros, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar o pagamento da mensalidade com o ingresso via seleção acadêmica de programas sociais. “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”, escreveu um dos alunos.
Além das ofensas, imagens e expressões associadas ao nazismo foram compartilhadas. Em uma mensagem, um estudante enviou uma foto do exército nazista acompanhada de referências ao “leite cru”, expressão utilizada por grupos na internet que defendem a supremacia branca.
Investigações e repercussão
Alunos da instituição formalizaram uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF), que confirmou o recebimento do caso e informou que está apurando os fatos. Um estudante, que preferiu não se identificar, relatou um “clima hostil” na faculdade, afirmando que o contexto eleitoral serviu como pretexto para o extravasamento de ódio contra pessoas mais pobres.
Em nota, a UniCesumar afirmou que concluiu, no dia 30 de outubro, a Sindicância Interna aberta para apurar as mensagens. A instituição destacou que “reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes” e que repudia qualquer forma de discriminação.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou, declarando que as atitudes ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina. O órgão ressaltou que “atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica”, e afirmou que adotará as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições.



















