Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · São Paulo
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Flávio Bolsonaro pode ser considerado foragido da Justiça?

Especialistas explicam que senador só seria foragido com mandado de prisão, mas apontam fuga após descumprimento de ordem de entrega de passaportes.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro saiu do país após ter passaportes apreendidos por ordem do STF.
  • Especilistas afirmam que ele não é foragido por falta de ordem de prisão, mas há indícios de fuga.
  • O senador é alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro e repasses para filme.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não deve ser tratado como foragido da Justiça, mesmo após sua saída do país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes. Segundo criminalistas ouvidos, o senador só poderia ser tratado como foragido se houvesse uma ordem de prisão contra ele.

“Foragido é quem tem contra uma ordem de prisão e não se apresenta para o seu cumprimento. O que o Flávio tem contra ele é uma ordem de uma medida cautelar alternativa à prisão: a proibição de ausentar-se do país, tendo como mecanismo para assegurá-la, a entrega dos passaportes”, disse o criminalista Gustavo Badaró, professor titular de Direito Processual Penal da Universidade de São Paulo (USP).

“Se confirmado que Flávio deixou o país, a situação dele é de alguém que está sendo investigado em um inquérito policial e descumpriu uma medida cautelar alternativa à prisão. Pode até ocorrer que, em virtude deste descumprimento, seja requerida a prisão preventiva dele e o ministro Alexandre de Moraes a decrete. Neste caso, se houver uma ordem de prisão contra ele, aí ele poderá ser considerado foragido”, continuou.

A avaliação é a mesma do professor da Fundação Getúlio Vargas Thiago Bottino. Na sua visão, porém, é possível dizer que o senador fugiu do país. “Foragido é quando há um mandado de prisão em aberto, ainda não cumprido, e a pessoa não é localizada. Mas dá pra falar em fuga porque ele foi proibido de deixar o país. Descumpriu a ordem judicial que proibia a saída dele, portanto, fugiu”, afirmou Bottino, acrescentando que o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes caracteriza crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal.

Derrotado na disputa presidencial, o senador perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro, quando acaba seu mandato parlamentar. Apesar disso, os inquéritos contra ele devem continuar tramitando no STF, avaliam criminalistas. A atual jurisprudência da Corte determina que investigações em curso são mantidas no STF, quando os supostos crimes forem cometidos durante o mandato e relacionados à sua atuação no cargo.

Duas investigações estão em andamento: uma apura possíveis irregularidades no repasse de quase 70 milhões de dólares do Banco Master para o filme Dark Horse, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto outra investiga suposta lavagem de dinheiro em parceria com o advogado Willer Tomáz. Foi nesse segundo inquérito que o ministro determinou, na segunda-feira (26/10), a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro. O senador não entregou os documentos à Polícia Federal dentro do prazo, que terminou por volta de 12h desta terça.

Também nesta terça, a PF acionou as autoridades da Argentina para identificar se Flávio Bolsonaro ingressou no país vizinho após a derrota nas eleições. O acionamento aconteceu após informações de que uma aeronave particular com destino aos EUA estaria no aeroporto de Puerto Iguazú, próximo à fronteira com o Brasil.

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