Terça-feira, 20 de outubro de 2026 · São Paulo
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Adolescente lança livro de poemas e revela influência de Clarice Lispector

Aos 14 anos, Leonardo Ciorlia, de Campinas (SP), estreia na literatura com a obra "O Avesso de Nós", que reúne 39 textos autorais.

Em resumo

  • O adolescente Leonardo Ciorlia, de 14 anos, lança seu primeiro livro de poemas, intitulado "O Avesso de Nós".
  • A obra contém 39 textos e foi finalizada em setembro de 2025, após oito meses de produção.
  • O jovem autor cita Clarice Lispector como uma de suas principais influências literárias no processo de criação.

Aos 14 anos, Leonardo Ciorlia encontrou na poesia uma forma de dizer justamente aquilo que, muitas vezes, parece impossível explicar. Aluno do 9º ano, o adolescente de Campinas (SP) começou a escrever poemas há cerca de dois anos e agora se prepara para lançar o primeiro livro, O Avesso de Nós, com 39 textos. A relação com a escrita, no entanto, começou muito antes. Filho e neto de leitores, Leonardo cresceu cercado por livros e conta que sempre teve acesso à leitura. Primeiro vieram as histórias que inventava, depois as músicas e, mais tarde, a poesia.

Foi também pela leitura que ele encontrou uma das principais referências para sua escrita: a autora Clarice Lispector. O primeiro contato aconteceu por acaso, durante uma ida a uma livraria. “Eu comprei inicialmente não para eu ler, mas para a minha mãe. Só que aí eu não achei legal, eu me apaixonei! Falei: ‘ossa, o que que é isso?’ Porque eu nunca tinha experimentado nada parecido”, contou. Depois disso, Leonardo passou a ler outras obras da autora e chegou a seis livros. A influência também entrou no próprio processo de criação: cinco poemas de O Avesso de Nós têm epígrafes de Clarice.

Segundo ele, mais do que servir como referência, a escritora mostrou que havia outras maneiras de transformar uma ideia ou sentimento em texto. Em alguns casos, uma frase lida em um livro de Clarice acabou levando a outra frase na cabeça de Leonardo e, depois, a um novo poema. “Foi uma porta mesmo que abriu”, resume.

Mas a inspiração não vem apenas dos livros. Para Leonardo, uma flor no quintal de casa, a chuva, uma música ou até uma frase que aparece na cabeça durante a madrugada podem virar matéria-prima para um poema. Segundo o jovem poeta, o processo costuma começar de maneira inesperada. Um exemplo está no poema “Paredes”. A ideia surgiu depois de uma conversa com o psicólogo, que contou ao adolescente a história de um paciente que sentia uma solidão difícil de explicar. Para descrever a sensação, o homem dizia imaginar que as paredes se aproximavam dele. A imagem ficou na cabeça de Leonardo e acabou virando poema. “Eu peguei essa metáfora das paredes fechando e escrevi o poema”, contou.

Apaixonado por flores, Leonardo conta que um hibisco no quintal do vizinho serviu de gancho para um dos textos que fecha o livro. “Tem uma flor ali no quintal que é um hibisco. Eu me apaixonei pelo hibisco, tanto que o poema que acaba o livro é sobre esse hibisco, e aí tem reflexões em torno dele”, contou. Antes de pensar em publicar um livro próprio, Leonardo já havia escrito dezenas de poemas. Um dos primeiros, “O Peso do Não Dito”, foi o que abriu o seu olhar para a ideia de publicação. A primeira experiência veio quando o jovem enviou o texto para um edital e foi selecionado para participar de uma coletânea, autografando a obra durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Depois disso, começou a reunir o que já havia escrito e percebeu que tinha material suficiente para uma publicação própria. “Eu comecei a reunir as coisas que eu tinha, reuni, e vi que dava um livro meu. Eu falei assim: é, agora é a hora mesmo de publicar.” A partir daí, Leonardo procurou editoras pelas redes sociais até encontrar uma que aceitasse publicar o projeto. O livro levou cerca de oito meses para ser construído e foi finalizado no fim de setembro de 2025. Agora a obra já está disponível para a compra, no site da editora.

Para o adolescente, a poesia também acabou se tornando uma maneira de organizar os próprios pensamentos e sentimentos. Segundo Leonardo, a escrita não segue uma rotina rígida. “Às vezes eu estou estressado, sentindo alguma coisa e não vou conseguir render. Aí eu acabo escrevendo um poema que alivia a minha tensão. Aí consigo fazer as coisas no meu dia a dia. Então, só me ajuda em tudo”, contou. O próprio título do livro, O Avesso de Nós, faz referência ao que existe no interior de cada pessoa e nem sempre é fácil de enxergar. “Eu queria que as pessoas, ao ler, conseguissem enxergar coisas em si mesmas, se alegrar com coisas em si mesmas, que a gente tem dificuldade de enxergar”, disse.