Terça-feira, 3 de novembro de 2026 · São Paulo
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Tribunal Penal Internacional acusa governo Trump de obstruir Justiça

Juíza Tomoko Akane discursou remotamente na ONU após sofrer sanções dos EUA e pediu defesa global da instituição.

Em resumo

  • A presidente do TPI, Tomoko Akane, discursou remotamente na ONU após sanções dos EUA.
  • O governo Trump ampliou sanções contra o tribunal em 9 de outubro, mesmo dia do Nobel da Paz para Navi Pillay.
  • O TPI reafirmou que continuará a cumprir seu mandato com independência e imparcialidade.

A juíza japonesa Tomoko Akane, presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), falou remotamente às Nações Unidas na segunda-feira devido a sanções impostas pelos Estados Unidos e pediu aos 193 países-membros da ONU que tomem medidas concretas para defender o tribunal.

O governo do presidente Donald Trump impôs sanções a funcionários do TPI e passou a mirar a instituição como um todo, como parte de uma campanha para desmantelá-la por causa de investigações envolvendo os Estados Unidos e seus aliados, incluindo Israel.

Akane afirmou na Assembleia Geral da ONU que seu discurso remoto foi resultado de medidas extraordinárias e sem precedentes dos Estados Unidos que ameaçam juízes, promotores e o próprio TPI como organização.

Ela destacou o momento em que o governo Trump anunciou novas e abrangentes sanções contra o tribunal, em 9 de outubro. A medida ocorreu no mesmo dia em que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido à jurista sul-africana Navi Pillay, ex-juíza do TPI.

“O contraste não poderia ser mais evidente”, afirmou a presidente do TPI. “De um lado, o reconhecimento global do valor da Justiça internacional; de outro, uma tentativa de subjugar a instituição que a representa.”

O TPI foi criado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio quando os países não querem ou não conseguem fazê-lo. Os Estados Unidos não fazem parte do tribunal, e o Departamento de Estado não comentou imediatamente as declarações de Akane.

Ao anunciar as sanções mais recentes, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os Estados Unidos proibirão transações com o tribunal, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de agir contra o país.

A presidente do TPI rebateu na segunda-feira: “Quero deixar claro: o tribunal continuará a cumprir plenamente seu mandato com independência e imparcialidade, agindo apenas com base na lei e nas evidências, em nome das inúmeras vítimas de crimes graves”.

A União Europeia e outros apoiadores subiram à tribuna da Assembleia Geral da ONU para manifestar forte apoio ao TPI e ao trabalho do tribunal na busca por Justiça para os crimes mais graves contra a humanidade.

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