Um estudo internacional, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, concluiu que o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose reduz a mortalidade por câncer de pulmão entre indivíduos de alto risco. A avaliação, conduzida por 23 especialistas de 17 países sob organização da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), classificou a evidência científica desse benefício como grupo A, indicando resultados conclusivos.
O rastreamento é recomendado para pessoas com idade entre 50 e 80 anos que possuam histórico de tabagismo equivalente a um maço por dia durante 20 anos ou mais. Segundo a IARC, o câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo, provocando cerca de 1,9 milhão de óbitos em 2024.
Impacto dos ensaios clínicos
Ensaios clínicos de grande porte corroboram os achados. O National Lung Screening Trial, realizado nos Estados Unidos, associou o uso da tomografia de baixa dose a uma redução relativa de 16% na mortalidade em comparação à radiografia de tórax. Já o estudo europeu NELSON demonstrou uma redução relativa de 24% na mortalidade entre homens de alto risco após dez anos de acompanhamento.
A detecção precoce é crucial, pois tumores identificados antes do surgimento de sintomas — como tosse persistente, falta de ar ou dor no tórax — oferecem maiores possibilidades de tratamento, incluindo intervenções cirúrgicas. A radiografia de tórax, por outro lado, não demonstrou redução de mortalidade de forma conclusiva nos estudos avaliados.
Riscos e novas tecnologias
O rastreamento não é isento de efeitos indesejados, como resultados falso-positivos, que podem levar a procedimentos invasivos desnecessários, e o sobrediagnóstico. A exposição à radiação ionizante também é um fator de atenção, embora os benefícios superem os danos em grupos selecionados. Por isso, a qualidade dos exames e protocolos rigorosos são essenciais.
Novas tecnologias, como modelos de predição de risco e inteligência artificial para análise de nódulos, estão sendo estudadas para aprimorar a seleção de pacientes. No entanto, especialistas ressaltam que essas ferramentas devem apoiar a avaliação clínica sem substituir a supervisão profissional. Além disso, o rastreamento não substitui a prevenção primária, sendo o controle do tabagismo fundamental para reduzir a incidência da doença.

















