Domingo, 8 de novembro de 2026 · São Paulo
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Galinhas de óculos: acessório previne canibalismo e brigas em galinheiros

Equipamento limita a visão frontal das aves para evitar bicadas e ferimentos; especialista alerta que prática pode causar desconforto aos animais.

Em resumo

  • O acessório limita a visão frontal das galinhas para evitar bicadas e ferimentos entre as aves.
  • Cada protetor custa em média R$ 2, mas o manejo individual torna o uso inviável em grandes granjas.
  • Especialistas alertam que o uso do equipamento pode causar desconforto e não é considerado uma prática ideal de bem-estar animal.

A ideia de uma galinha usando óculos pode parecer inusitada, mas o equipamento existe e é utilizado em algumas criações de aves. Diferente do que o nome sugere, o acessório não serve para melhorar a visão dos animais. Na verdade, ele limita o campo de visão frontal para tentar evitar comportamentos como bicadas, brigas, quebra de ovos e canibalismo. Segundo o zootecnista Aécio Prado, da Emater-DF, o item funciona como um protetor anti-bicada.

O canibalismo ocorre quando uma ave bica e fere outra, o que pode provocar lesões e, em casos graves, levar à morte. O especialista explica que os óculos dificultam que a galinha enxergue diretamente o alvo da bicada. Além disso, a cor vermelha do equipamento teria a função de reduzir a reação das aves à presença de sangue.

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A instalação do acessório exige que cada animal seja capturado e manejado individualmente. Como o bico das aves é resistente e está em constante movimento, elas podem se adaptar ao objeto ou até retirá-lo. Prado ressalta que o uso não é considerado uma prática ideal para o bem-estar animal, pois pode causar desconforto. Por isso, é empregado apenas em situações específicas, como na introdução de um novo reprodutor em um plantel de maior valor comercial, visando reduzir brigas na adaptação.

Uso é inviável em grandes granjas

Cada protetor custa, em média, R$ 2. Embora o valor unitário seja baixo, a aplicação é inviável em granjas comerciais com milhares de aves. Além do custo, há a dificuldade operacional de manejar cada animal individualmente. “Em plantéis grandes, o manejo fica muito difícil, porque é preciso pegar uma ave por vez e colocar o equipamento. Além disso, ele pode se soltar”, afirma o zootecnista.

Em criações maiores, a prática comum para evitar ferimentos é a debicagem, que consiste na retirada de parte do bico nas primeiras semanas de vida. O método deve ser realizado por profissionais capacitados, mas é questionado por impactos no bem-estar. Por isso, produtores buscam alternativas como melhorias no espaço, na alimentação e no manejo. Os óculos, portanto, são um recurso pontual, dependendo das características da criação e da avaliação de bem-estar.

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