Terça-feira, 27 de outubro de 2026 · São Paulo
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Quem é Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu nas eleições em Israel

Militar de carreira e fundador do partido Yashar, Gadi Eisenkot desponta como o principal adversário de Benjamin Netanyahu nas eleições israelenses.

Em resumo

  • Gadi Eisenkot encerrou sua campanha em Tel Aviv prometendo união e afirmando que Netanyahu deve voltar para casa.
  • O candidato defende derrotar o Hamas em até 18 meses, revogar a reforma judicial e acabar com a isenção militar de ultraortodoxos.
  • Pesquisa indica que o bloco de Netanyahu tem 59 cadeiras no Knesset, enquanto a aliança de Eisenkot soma 47 assentos.

Gadi Eisenkot, de 66 anos, reuniu seus apoiadores na noite de domingo (25) em Tel Aviv para um último comício véspera das eleições legislativas de Israel, país que vai às urnas pela primeira vez após a guerra em Gaza em disputa acirrada. Apontado como possível próximo primeiro-ministro, ele promete reconciliar um país profundamente dividido. “Nosso objetivo não é que um lado prevaleça sobre o outro”, declarou diante da multidão. “Trabalharemos para reunir novamente todos os israelenses — aqueles que votaram em nós e aqueles que não votaram”, prometeu o candidato, que encerrou a campanha com foco na transparência, no fortalecimento institucional e no senso de responsabilidade do Estado, além de afirmar que “Netanyahu deve voltar para casa” e que “o espírito da mudança está mais forte do que nunca”.

Militar de carreira, Eisenkot construiu trajetória ascendente nas Forças Armadas de Israel, começando na Brigada Golani no Líbano até o comando da força. Em 2015, tornou-se o 21º chefe do Estado-Maior do Exército israelense, nomeado justamente por Benjamin Netanyahu. Em 2022, ingressou na política pela aliança de centro de Benny Gantz e foi eleito deputado para o Knesset. Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, juntou-se ao governo de união nacional de Netanyahu como ministro sem pasta e integrou o gabinete de guerra, período em que soube da morte de seu filho mais novo, Gal Meir Eisenkot, de 25 anos, reservista morto no território palestino. Em junho de 2024, deixou o cargo acusando Netanyahu de comprometer negociações de reféns para ceder à extrema direita, e em 2025 fundou o partido Yashar.

Popularidade e propostas

Apesar da pouca experiência política, Eisenkot possui grande popularidade. Suas posições sobre o conflito israelense-palestino divergem pouco do atual governo: ele se opõe à criação de um Estado palestino, promete derrotar o Hamas em até 18 meses e apoia a expansão de assentamentos na Cisjordânia, embora prometa punir colonos envolvidos em ataques contra civis palestinos. Ele também defende a revogação da reforma judicial de Netanyahu, uma comissão de investigação sobre os ataques de 7 de outubro de 2023 e o fim da isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos. Em seu último discurso, enfatizou a segurança e a economia, prometendo romper com o modelo de governança de Netanyahu, protagonista político por cerca de três décadas. “No fundo, vocês sabem que Israel não pode continuar assim”, declarou.

De origem muito humilde, caso este filho de imigrantes marroquinos vença o pleito, ele será o primeiro chefe de governo sefardita de Israel, grupo de judeus do Norte da África e do Oriente Médio. Mesmo terminando em primeiro lugar, precisará buscar aliados para formar uma coalizão. Pesquisa do canal i24NEWS pelo instituto Direct Polls divulgada no domingo aponta que o bloco de Benjamin Netanyahu deve conquistar 59 das 120 cadeiras do Knesset, ficando a duas da maioria, enquanto a aliança de Gadi Eisenkot aparece com 47 cadeiras e partidos árabes somariam 14 assentos.

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