A proximidade das eleições de 2026 e a influência das redes sociais na disputa presidencial colocam em xeque a capacidade do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proferir decisões devidamente fundamentadas. Em entrevista ao programa WW, Fabro Steibel, diretor-executivo do ITS Rio, advertiu que a pressão do calendário eleitoral pode resultar em pareceres do tribunal desprovidos da completude de informações necessária para o embasamento factual.
Coordenação autêntica e inautêntica
Steibel detalhou que a resolução do TSE estabelece uma distinção entre dois modelos de coordenação em campanhas. A coordenação autêntica compreende ações permitidas, como mobilizações orgânicas, engajamento de apoiadores e estratégias de comunicação transparentes. Em contrapartida, a coordenação inautêntica engloba práticas proibidas pela legislação, como pagamentos não declarados, uso de caixa dois e comportamentos artificialmente orquestrados.
“Aquilo que for autêntico é a campanha, está valendo, você é expressamente autorizado a fazer. Aquilo que for inautêntico, roubou, pagamento, dinheiro por fora, caixa dois, esse não é autorizado”, pontuou Steibel. O especialista ressaltou que a classificação precisa de cada ação exige tempo e investigações minuciosas.
Risco de decisões sem base suficiente
O especialista recordou que a campanha de 2018 já revelou indícios de coordenação inautêntica de comportamento, cenário que o TSE busca investigar atualmente. Contudo, o tempo exíguo até o pleito pode ser insuficiente para que o tribunal conclua suas análises com a profundidade exigida.
“Com pouco tempo, qualquer decisão na justiça pode não ter o tempo suficiente para fazer uma decisão informada”, alertou Steibel. Ele complementou que decisões precipitadas, independentemente do lado beneficiado, possuem potencial para alterar o resultado de uma disputa eleitoral acirrada.



