Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Paris e outras cidades na França decretam toque de recolher

Medida foi adotada nesta segunda-feira (19) após onda de protestos violentos, saques e confrontos que já duram um mês no país europeu.

Em resumo

  • Paris e outras cidades decretam toque de recolher nesta segunda-feira (19).
  • Protestos contra custo de vida e alta de combustíveis já duram um mês na França.
  • Madrugada teve mais de 500 mil nas ruas, um morto, 500 policiais feridos e 2.400 detidos.

Várias cidades na França, incluindo a capital Paris, determinaram toques de recolher nesta segunda-feira (19) para tentar evitar novos protestos violentos e confrontos entre manifestantes e policiais, como os do fim de semana no país. Na cidade de Paris, a circulação está proibida na Place de la République e nas ruas ao redor do bairro de Les Halles das 22h desta segunda às 6h da próxima terça (20), no horário local (17h de segunda às 1h de terça, no horário de Brasília).

Autoridades de Lille, Douai, Wattignies e Denais, no noroeste francês, também anunciaram que vão aplicar o toque de recolher. Os cidadãos não poderão circular pelas ruas entre as 20h00 (15h00 no horário de Brasília) e as 06h00 (01h00 no horário de Brasília) durante as próximas duas noites, por decisão das prefeituras locais. Mais cedo, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, havia solicitado a prefeitos de cidades com manifestações que decretem toques de recolher por conta dos protestos.

A França vem enfrentando nas últimas semanas uma onda de manifestações e distúrbios que começou a partir de protestos estudantis e ganhou apoio de sindicatos e de manifestantes contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis. Nos últimos dias, os atos ficaram mais violentos, e alguns têm terminado em saques a pequenos comércios e prédios incendiados. No sábado, 2.400 pessoas foram detidas.

A onda inicial de protestos começou em setembro em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres ao norte de Paris e focava na indignação com a ausência de professores e nas instalações precárias das escolas. Rapidamente, as manifestações se transformaram em um movimento nacional contra a desigualdade, a insuficiência de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços. Os protestos ocorrem no momento em que o presidente Emmanuel Macron entra na reta final de seu mandato, deixando para trás um eleitorado polarizado e um cenário político interno fragmentado.

Também nesta segunda, o governo francês fez uma reunião de emergência para decidir medidas a serem tomadas para controlar a violência nas ruas. Na madrugada de sábado para domingo (18), o país registrou uma das noites mais violentas dos últimos anos. Segundo o Ministério do Interior, mais de 500 mil pessoas foram às ruas em dezenas de cidades. Os atos deixaram um morto, mais de 500 policiais feridos e quase 2.400 detidos. Os protestos marcaram a união de um movimento estudantil que já dura um mês com a insatisfação geral da população contra o aumento do custo de vida.

Também nesta segunda, o Museu do Louvre, em Paris, amanheceu fechado após manifestantes bloquearem o acesso ao local em apoio ao movimento estudantil e para denunciar “a repressão policial”.