Sábado, 24 de outubro de 2026 · São Paulo

MP Eleitoral pede que TSE barre candidatura de Márcio Canella

Vice-procurador-geral eleitoral enviou parecer à Corte afirmando haver elementos suficientes para ligar o político a organizações criminosas.

Em resumo

  • MP Eleitoral pediu ao TSE que barre a candidatura do deputado estadual eleito Márcio Canella.
  • O político foi preso em 15 de outubro na operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro.
  • A defesa afirmou anteriormente que não teve acesso à decisão e que o fuzil era do escolta.

O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que indefira o registro de candidatura do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ). Em parecer enviado à Corte na 6ª feira (23.out.2026), o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou haver elementos suficientes para relacionar o político a organizações criminosas.

Canella foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro no 1º turno. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro havia liberado sua candidatura, mas a decisão é questionada no TSE. Segundo o MP Eleitoral, o TRE-RJ decidiu sem ter acesso às provas do inquérito 5.020, que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O político foi preso em 15 de outubro na 8ª fase da operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Canella recebeu 197.178 votos e foi o 2º deputado estadual mais votado do Estado.

Segundo o parecer, há indícios de que Canella atuou como articulador político do esquema investigado, influenciou indicações para cargos na cúpula da segurança pública para favorecer o grupo e recebeu dinheiro em espécie proveniente das atividades investigadas. Na 6ª fase da operação Unha e Carne, realizada em julho, a PF apreendeu R$ 919 mil em espécie e dólares em endereços ligados a Canella. Um fuzil de uso restrito foi encontrado no veículo em que ele estava. A defesa afirmou anteriormente que a arma estava sob responsabilidade do policial militar que fazia a escolta do político.

Milícias e ligações criminosas

O MP Eleitoral também cita no parecer indícios de ligação de Canella com integrantes de milícias. Quando era deputado estadual, Canella empregou em seu gabinete, até 2023, a mulher de um líder do grupo conhecido como Bonde do Jura. Segundo o Ministério Público, depois de assumir a Prefeitura de Belford Roxo, em 2025, ele nomeou para duas secretarias municipais pessoas citadas como líderes de milícias da região. Um deles já havia sido condenado por constituição de milícia. O outro respondia a processo por extorsão e porte ilegal de arma e foi condenado posteriormente. Segundo o parecer, os 2 participaram da campanha de Canella em 2026.

A manifestação também menciona a operação municipal Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella em Belford Roxo para retirar obstáculos instalados pelo tráfico. Segundo o MP Eleitoral, há indícios de que a iniciativa envolveu acordos informais com o Comando Vermelho. As negociações teriam permitido a liberação temporária de acessos a comunidades para obras e gravações de vídeos, com posterior retomada do controle territorial pela facção.

Espinosa afirmou que os elementos reunidos indicam “a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato”, além de apoio eleitoral dessas pessoas à campanha e atuação de Canella como articulador de organização criminosa armada. O vice-procurador-geral eleitoral disse que o TSE já admite impedir candidaturas vinculadas a organizações paramilitares ou semelhantes mesmo sem condenação definitiva. O argumento se baseia no artigo 17 da Constituição, que proíbe a interferência desses grupos em partidos políticos. Espinosa pede ao TSE que reverta a decisão do TRE-RJ e indefira a candidatura de Canella.

Outro lado

A defesa de Canella afirmou, depois da prisão de 15 de outubro, que não havia tido acesso à decisão que determinou a medida. Sobre o fuzil encontrado em julho, disse que a arma estava acautelada para o policial militar responsável pela escolta do então candidato. Até a tarde deste sábado (24.out), Canella não havia se manifestado publicamente sobre o novo parecer do MP Eleitoral.

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