Sexta-feira, 23 de outubro de 2026 · São Paulo

Microsoft diz que IA superou médicos em testes de diagnóstico

Sistema MAI-DxO alcançou 83% de precisão em casos complexos nos testes, enquanto médicos registraram até 36%, segundo dados divulgados.

Em resumo

  • Sistema de IA MAI-DxO alcançou 83% de precisão em casos médicos complexos nos testes.
  • Ferramenta coordena vários agentes virtuais para discutir hipóteses e pedir exames.
  • Microsoft pretende testar a tecnologia em hospitais com pacientes reais em ambiente clínico.

A Microsoft apresentou novos resultados do MAI Diagnostic Orchestrator (MAI-DxO), sistema de inteligência artificial criado para auxiliar diagnósticos médicos. Em testes com casos complexos, a ferramenta alcançou 83% de precisão, contra 36% de médicos com acesso a materiais de referência. Os resultados foram publicados na revista científica Science e fazem parte da estratégia da empresa para desenvolver o que chama de “superinteligência médica”. Apesar dos números, a própria Microsoft reconhece que a tecnologia ainda precisa ser validada em ambientes clínicos reais.

Como a IA chegou a diagnósticos mais precisos?

O MAI-DxO não funciona como um único chatbot tentando identificar a doença do paciente. O sistema coordena vários agentes de IA que atuam como uma equipe médica virtual. Cada agente pode sugerir diagnósticos, questionar hipóteses, pedir novas informações ou recomendar exames. O sistema repete esse processo enquanto recebe novos dados e também considera o custo de cada procedimento antes de chegar a uma conclusão.

Nos 304 casos complexos retirados do New England Journal of Medicine, a ferramenta superou a marca de 80% de precisão. A Microsoft também avaliou a ferramenta mais próxima da rotina de um pronto-socorro, usando registros do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, acertando 80% dos diagnósticos, contra uma média de 47% entre os médicos. Os pesquisadores afirmam ainda que o sistema chegou às respostas com um custo estimado menor, escolhendo menos exames.

O sistema já pode ser usado no lugar de médicos?

Os testes foram feitos com casos já conhecidos e dados históricos, e não com pacientes atendidos em tempo real. A Microsoft reconhece que não é possível afirmar que o mesmo desempenho será reproduzido em hospitais. A companhia pretende agora testar o sistema em situações clínicas reais. Os pacientes devem interagir diretamente com a ferramenta, enquanto os resultados serão comparados às avaliações feitas por médicos. Não há uma data para lançamento comercial.

O CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, afirmou que profissionais humanos continuarão tendo papel central no atendimento, mesmo com sistemas cada vez mais capazes. A ressalva é importante porque o desempenho de IAs médicas varia bastante conforme modelo e metodologia. Em outro estudo, o ChatGPT errou 83% dos diagnósticos de doenças infantis.

O conceito de “superinteligência médica”

A empresa usa o termo para descrever sistemas que poderiam superar equipes humanas em diferentes etapas do atendimento médico. A Microsoft afirma que isso inclui acompanhar o conhecimento científico, escolher tratamentos, monitorar a evolução de pacientes e coordenar diferentes profissionais envolvidos no cuidado. O MAI-DxO seria apenas uma das primeiras etapas dessa estratégia.

A companhia já vem ampliando sua presença nessa área. Neste ano, anunciou o Copilot Health, ferramenta voltada a ajudar usuários a entender exames, condições médicas e dados de dispositivos de saúde. O próximo passo será justamente verificar se os resultados obtidos nos testes continuam válidos quando a ferramenta começar a lidar com pacientes reais.

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