Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Fabricantes chinesas de turbinas eólicas avançam no Brasil

Enquanto gigantes globais fecham fábricas, empresas da China conquistam espaço no mercado brasileiro de energia eólica.

Em resumo

  • Fabricantes chinesas já respondem por mais da metade dos negócios mais recentes de turbinas eólicas no Brasil.
  • A Goldwind fechou o maior contrato da história do setor com a Casa dos Ventos para entregar 827 MW.
  • O setor eólico brasileiro enfrenta desaceleração e cortes forçados de produção, mas atrai empresas focadas no longo prazo.

Os investimentos em energia eólica no Brasil desaceleraram fortemente nos últimos anos, mas o cenário mais desafiador não assustou algumas empresas chinesas que estão entre as maiores fabricantes globais de equipamentos para o setor. Enquanto a GE e a europeia Siemens Gamesa fechavam suas fábricas de pás e turbinas por aqui, a Goldwind, a Envision e a Ming Yang desembarcavam no País e fechavam seus primeiros contratos locais nos últimos dois anos. Impulsionadas pelo crescimento da geração eólica na China, a Goldwind e a Envision lideraram o mundo em capacidade adicionada de turbinas em 2025; a Ming Yang ficou na quarta posição.

Em volumes acumulados, a Goldwind agora está atrás só da dinamarquesa Vestas, e a Envision tem se aproximado das terceira e quarta colocadas, Siemens Gamesa e GE Vernova. Aqui no Brasil, as chinesas já respondem por mais da metade dos negócios mais recentes na indústria, e agora se preparam para fornecer também sistemas de armazenamento com baterias, conhecidos pela sigla BESS.

“Hoje nós estamos com mais de 50% do mercado corrente de turbinas eólicas, daquilo que está em fabricação neste momento. Temos perto de 50%, 55%,” Roberto Veiga, vice-presidente da Goldwind Brazil, disse ao Brazil Journal. A companhia, que está produzindo equipamentos localmente em Camaçari – numa fábrica comprada da GE – fechou o maior contrato da história do setor com a Casa dos Ventos, para entregar 827 MW, além de um acordo de mais 142 MW com a EDF. O plano é fazer do Brasil um hub de exportações para as Américas, incluindo a costa leste dos Estados Unidos e o Canadá, e produzir aqui também os BESS, de olho nos leilões para projetos de baterias que o Governo agendou para dezembro.

A Goldwind fechou vendas recentes de sistemas de armazenamento no Chile, e oferecerá no Brasil tanto um produto com conteúdo nacional quanto sistemas importados. No negócio de eólica, a empresa criou uma unidade para desenvolver projetos desde o zero e oferecê-los a potenciais clientes já prontos para construção, diminuindo riscos para os investidores, em uma estratégia para estimular novos negócios diante da fraqueza do mercado.

Até o momento neste ano o País adicionou parques eólicos somando 657 MW em capacidade, bem abaixo dos cerca de 2 GW de 2025, dos mais de 3 GW em 2024 e dos mais de 4 GW em 2023 e 2022. O setor tem sido afetado por uma sobreoferta de geração renovável que leva a cortes forçados na produção das usinas, o curtailment, diminuindo a receita das empresas e a previsibilidade para novos investimentos.

“Nós vamos passar por esses vales no mercado. Não viemos para ficar pouco tempo, viemos para um planejamento de médio e longo prazo – estou falando de mais de 30 anos. Acho que só vai sobreviver no Brasil quem tem planejamento de médio e longo prazo”, disse o VP da Goldwind.

Já a Envision estreou no Brasil com um enorme contrato para fornecer 630 MW em turbinas importadas da China a parques da Casa dos Ventos. O plano é partir para a produção local em algum momento, à medida que os negócios avancem.

“O setor eólico brasileiro atravessa um momento particularmente desafiador, que exige visão estratégica, capacidade de adaptação e compromisso de longo prazo,” disse o diretor de soluções da companhia, Marcello Trombelli. Segundo ele, a Envision “mantém negociações com grandes empresas do setor e busca ampliar sua presença no mercado” oferecendo aos clientes um dos maiores aerogeradores disponíveis na indústria, com 8,4 MW em potência por máquina e rotor com 182 metros de diâmetro. A Envision também conversa com parceiros para produzir sistemas de baterias com conteúdo local para atender os participantes dos leilões de dezembro.

A Ming Yang, por sua vez, já vendeu uma turbina para um parque da Copel e fechou um outro contrato no País cujos detalhes não foram revelados. A companhia buscava novas oportunidades com um grande estande num evento do setor nesta semana em São Paulo, o Brazil Wind Power, onde fez apresentações sobre seus produtos em turbinas, operação e manutenção e BESS.

Goldwind e Envision também estão com estandes no evento, assim como suas principais concorrentes pelo mercado brasileiro, a Vestas, a Nordex Acciona e a WEG. “Os chineses estão muito competitivos em preço”, disse um desenvolvedor de projetos presente na conferência. Se o mercado não está crescendo, o mesmo não pode ser dito da concorrência na indústria de turbinas.

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