Terça-feira, 27 de outubro de 2026 · São Paulo

Anfíbio de 237 milhões de anos que viveu só no mar é descoberto

Nova espécie batizada de Gerrothorax maritimus foi encontrada na província de Guizhou, na China, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (26).

Em resumo

  • Uma nova espécie de anfíbio de 237 milhões de anos foi descoberta na província de Guizhou, na China.
  • O Gerrothorax maritimus possuía 75 centímetros de comprimento e vivia permanentemente no mar.
  • A análise química dos ossos e a preservação do esqueleto confirmaram que o mar era o habitat natural.

Uma nova espécie de anfíbio que teria vivido há cerca de 237 milhões de anos foi descoberta na China. Ele seria o primeiro e único até hoje capaz de viver somente no mar graças a adaptações no seu organismo. Batizada de Gerrothorax maritimus, o animal possuía cerca de 75 centímetros de comprimento e corpo achatado. Dois fósseis foram encontrados na província de Guizhou, na China, segundo estudo a revista científica Nature Ecology & Evolution divulgado nesta segunda-feira (26).

Características únicas

O que torna a espécie única é a sua capacidade de sobreviver de forma permanente no mar, em água salgada, o que nenhum anfíbio consegue fazer devido as suas características fisiológicas. Todos as espécies de anfíbios descobertos até hoje possuem uma pele macia e permeável, que permite a absorção de água e troca de gases, sem necessidade de abrir a boca para se hidratarem ou respirarem. Como a água do mar é salgada e consequentemente mais concentrada, nessa troca de líquidos pela pele, rãs e salamandras, por exemplo, desidratam, e precisam voltar a água doce para reequilibrar os seus organismos. No caso do Gerrothorax maritimus, isso era limitado pela sua pele semelhante a uma carapaça, selando essa troca.

“Pele do Gerrothorax maritimus era similar a uma armadura óssea que protegia a água do corpo de ser sugada pela água do mar”, explicou Ryosuke Motani. Nesse sentido, outra adaptação é em relação a respiração dele. Como a pele não era permeável, o anfíbio possuía brânquias, segundo os pesquisadores, que foram perdidas ao longo da evolução das espécies atuais. Ele vivia provavelmente a maior parte do tempo no fundo do mar, camuflado nos sedimentos, e se alimentava por sucção devido a sua boca grande com um arco branquial robusto. Esse método suga as presas, com o tubarão-tapete sendo a espécie mais próxima dele hoje.

Como descobriram que ele vivia no mar

Apesar dos fósseis terem sido encontrados no mar, os cientistas tiveram que confirmar se lá era mesmo seu habitat natural ou se o animal teria sido levado para lá ao longo dos milhões de anos. Para isso, análises foram realizadas, e a principal prova é a composição química dos ossos, que apresentaram assinatura de estrôncio compatível ao fundo do mar. As rochas em que estavam e os sedimentos ao redor também eram compatíveis, descartando a hipótese que eles teriam sido contaminados por detritos do ambiente.

Os fósseis foram encontrados em uma local a cerca de 30 quilômetros de distância da ilha mais próxima que existia no início do período Triássico Superior, há cerca de 237 milhões de anos, reconstruído pelos pesquisadores.

“Pequenos ossos dos dedos continuaram ligados ao esqueleto, o que indica que realmente o mar era o seu habitat natural e onde o animal morreu”, destacou Ryosuke Motani. Além disso, eles estavam próximos a grandes ictiossauros, répteis completamente adaptados à vida no oceano, e os ossos dos dedos permaneciam conectados ao esqueleto, o que costuma não acontecer quando um fóssil é arrastado de um local para o outro.

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