Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · São Paulo
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Quem chega, quem fica e quem sai: os cotados para o governo Lula 4

Presidente avalia nomes para compor ministérios em seu quarto mandato, equilibrando aliados, novatos e composições com o Centrão.

Em resumo

  • Lula tomará posse para seu quarto mandato em janeiro e iniciará as tratativas ministeriais após o feriado de Finados.
  • Rafael Fonteles é cotado para assumir o Ministério da Fazenda, enquanto Alexandre Padilha, Marina Silva e Simone Tebet devem continuar.
  • O governo avalia novos nomes para oxigenar a gestão, incluindo André Janones, João Campos e jovens deputadas federais.

Com a promessa de fazer um mandato “diferente”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomará posse em janeiro pela quarta vez e tentará acomodar apoios e aliados em seu governo.

Alguns nomes já estão na mesa, sob avaliação do presidente, que terá ainda a missão de formar novos quadros para que o PT tenha fôlego para competir nas eleições de 2030, dado que Lula não poderá tentar a reeleição novamente.

Aqueles que se destacaram durante a campanha devem formar parte do Lula 4. Mas para ter algum apoio num Congresso tão adverso, o presidente também precisará compor com o Centrão, bloco informal, formado por partidos de centro-direita que costumam apoiar diferentes governos em troca de verbas e cargos.

Como em todo ano eleitoral, a dança das cadeiras começa meses antes do pleito, quando alguns ministros deixam seus cargos para concorrer ou participar do núcleo duro das campanhas.

O presidente não tem um prazo para se decidir sobre quem entra, quem sai e quem fica em seu quarto mandato. Mas a reportagem apurou que Lula iniciará as tratativas logo após o feriado de Finados.

Mudanças na Comunicação e na Educação

A comunicação, a primeira a ser apontada como culpada por qualquer mau desempenho em um governo, desta vez também não passará impune.

Depois do primeiro turno, quando Lula ficou em segundo lugar atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, ficou na berlinda.

Petistas o apontaram como responsável pela derrota da campanha, que em poucos dias recebeu reforços, diminuindo o poder de Sidônio, que havia se afastado da Secom para coordenar a campanha.

A BBC News Brasil apurou que ele não deve voltar. O nome mais cotado para assumir o comando da Comunicação de Lula 4 é o do jornalista Laércio Portela.

Ele já esteve à frente da pasta, de forma interina, em maio de 2024, quando o então chefe da Comunicação, Paulo Pimenta, deixou a Secom para ser nomeado ministro extraordinário para a reconstrução do Rio Grande do Sul.

O ex-ministro da Educação Camilo Santana deixou a pasta em abril, quando o PT ainda cogitava que ele disputasse novamente o governo do Ceará, diante das dúvidas sobre se o governador Elmano Freitas teria estofo para uma reeleição.

Acabou ficando na coordenação da campanha cearense e reelegeu Elmano no primeiro turno. Diante do êxito, Camilo foi escalado por Lula para o primeiro batalhão de sua campanha no segundo turno, dividindo a coordenação com o presidente do partido, Edinho Silva.

Com Camilo afastado, a pasta ficou sob o comando de Leonardo Barchini, o número 2 do MEC.

Barchini participou da gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016, à frente da Secretaria de Relações Internacionais. Uma fonte afirmou à BBC News Brasil que Lula tem gostado do desempenho de Barchini na Educação e deve mantê-lo no cargo.

Diante do desempenho positivo de Camilo e da satisfação de Lula com Barchini, o presidente passou a cogitar o cearense para outra pasta, a da Casa Civil.

O ministério está sob o comando de Miriam Belchior, depois que Rui Costa se afastou do cargo para disputar — e ganhar — o Senado pela Bahia.

A ministra, que já havia participado do governo de Dilma Rousseff à frente da pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão, também tem boa avaliação do presidente Lula, o que deixa ainda incerta a ida de Camilo para a Casa Civil.

Fazenda e o cenário de Fernando Haddad

Dois dias antes do primeiro turno, Lula se reuniu com centenas de empresários em um jantar em São Paulo. Naquele momento, ele aparecia em segundo lugar nas pesquisas e a campanha temia uma derrota apertada ainda no primeiro turno.

Uma das expectativas da noite era que o presidente anunciasse um novo ministro da Fazenda, capaz de acalmar o humor do mercado, diante da cobrança pelo ajuste fiscal, e melhorar assim o percentual de intenção de voto no petista.

Mas Lula não mencionou nomes em nenhum momento da campanha.

Passado o pleito, o presidente terá que arrumar a casa. A Fazenda deve ficar sob o comando do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. O Lula deve viajar a Teresina (PI) na semana que vem, quando aliados de Fonteles acreditam que ele formalizará o convite.

Há uma especulação sobre a permanência de Fonteles no governo do Piauí por ao menos dois anos, antes de sua ida para Brasília. Mas nos bastidores, o que se diz — e não é de hoje — é que “se Lula chamar, não se pode dizer não”.

A reportagem apurou que Fonteles, que foi secretário da Fazenda no Piauí, na gestão de Wellington Dias, deve formar o Lula 4 desde o início. Se assim for, o governador deve querer autonomia total, o que pode significar que Dario Durigan, que hoje comanda a Fazenda, não permaneça no ministério.

Durigan era secretário-executivo da pasta quando o titular, Fernando Haddad, deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo, em abril.

O futuro do ex-prefeito de São Paulo talvez seja um dos mais incertos.

Seu desempenho foi ruim nas urnas. O pleito no estado se encerrou já no primeiro turno, com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 62% dos votos.

A rejeição ao PT, que nunca conseguiu governar o estado, somada à alta aprovação de Tarcísio e à ausência de outras candidaturas na disputa, formou o cenário adverso para a candidatura de Haddad.

O ex-prefeito paulistano também não conseguiu se reeleger em 2016, nem em 2018, quando disputou a presidência com Jair Bolsonaro (PL) enquanto Lula estava preso.

Nos bastidores, é sabido que o desejo do ex-ministro é voltar à vida acadêmica. Mas o que ainda não se sabe é qual é a opinião de Lula sobre isso.

Segurança Pública e permanências

Na última semana, o nome do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos nomes mais conhecidos no combate ao crime organizado e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi ventilado para liderar um eventual ministério da Segurança Pública.

A pasta ainda não existe. Está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que amplia o papel da União contra o crime organizado.

Promessa de campanha de Lula, a PEC está em fase final de tramitação no Senado. A expectativa do governo é que seja votada ainda neste ano.

Se assim for, o nome de Gakiya está na praça. Assim como o do ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa. A reportagem apurou que Lula ainda não se decidiu.

Dentre os que permanecerão em seus ministérios, Alexandre Padilha, na Saúde, é uma das maiores certezas.

Até fevereiro, o ministro estava à frente da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cargo que já havia ocupado no segundo mandato de Lula, entre 2009 e 2010.

Padilha retornou à Saúde depois que a ex-ministra Nísia Trindade foi demitida por Lula, no fim de fevereiro.

O médico foi candidato ao governo de São Paulo em 2014, mas terminou em terceiro lugar na disputa vencida por Geraldo Alckmin, na época no PSDB. Secretário municipal da Saúde na gestão de Haddad, o ministro é um dos homens de confiança do presidente.

Da mesma forma, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que disputaram o Senado por São Paulo e não foram eleitas, devem voltar para seus ministérios: Meio Ambiente e Planejamento e Orçamento, respectivamente.

Aloízio Mercadante, que tirou férias da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para se dedicar à campanha, também deve permanecer no cargo.

Renovação e novos nomes

Mas, além dos nomes de pessoas que navegam há anos com o presidente, Lula tem avaliado oxigenar seus ministérios.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), que mobilizou milhões de pessoas em um “exército” digital nas redes sociais, teve um desempenho apontado como crucial para a virada no segundo turno.

Por isso, seu nome também está sobre a mesa, mas ainda sem uma pasta específica.

O ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), era uma promessa de sucessão para a esquerda. Filho de Eduardo Campos, herdeiro direto da política familiar de Miguel Arraes, foi deputado federal por Pernambuco aos 26 anos.

Mas, ao perder no primeiro turno para a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD), João Campos, atual presidente do PSB, perdeu também um pouco da expectativa que vem de fora.

Lula cogita seu nome para chefiar o Ministério das Cidades, hoje comandado por Vladimir Lima, que tem um perfil mais técnico e não é filiado a nenhum partido.

Ainda com foco na juventude, a reportagem apurou que Lula avalia os nomes de três mulheres: Ana Elisa, uma das grandes revelações do PT, eleita a deputada federal mais jovem de Minas Gerais, aos 21 anos, e com forte presença nas redes sociais; Ana Julia Ribeiro, eleita deputada federal pelo Paraná, após passagens pela Câmara Municipal de Curitiba e pela Assembleia Legislativa do Paraná; e Dandara Tonantzin, deputada federal reeleita em Minas Gerais.

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