Cortes em programas sociais nos Estados Unidos, promovidos pelo presidente Donald Trump, retiraram cerca de cinco milhões de pessoas do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP, na sigla em inglês) em janeiro de 2026, alimentando a rejeição ao governo e podendo influenciar as eleições legislativas de 3 de novembro, conhecidas como eleições de meio de mandato. No estado do Arizona, no sudoeste americano, mais de 465 mil beneficiários, incluindo 200 mil crianças, perderam o acesso ao programa de auxílio alimentar.
Christine, uma viúva aposentada de 67 anos moradora do Arizona, participa mensalmente de uma ação de caridade no Banco Comunitário de Alimentos do sul do Arizona, na cidade de Tucson, desde que os cortes foram implementados. “Está tudo tão difícil”, lamentou a mulher, que recebia benefícios do SNAP até o ano passado para complementar sua renda e sustentar duas crianças sob seus cuidados. Com a inflação e metade da aposentadoria comprometida com o aluguel, ela afirmou: “Eles não se importam com a gente. O governo Trump não se preocupa com o povo”.
O Arizona está entre os estados mais afetados pela redução da assistência federal. A rede de distribuição de alimentos local atende neste ano 50 mil pessoas a mais do que o habitual. “Muita gente está chateada”, afirmou Natalie Jayroe, responsável pelo Banco Comunitário de Alimentos do sul do Arizona. “Inclusive pessoas que votaram no governo Trump”. Para Jayroe, os cidadãos afetados podem fazer a diferença nas urnas caso decidam votar nas disputas acirradas pela Câmara dos Representantes, nas quais os republicanos correm o risco de perder a maioria.
Óscar Ochoa, de 65 anos e veterano das Forças Armadas, também perdeu o acesso ao programa de auxílio alimentar e reclamou de ter precisado voltar a trabalhar como motorista de ônibus após se aposentar. Ele afirmou que a lei orçamentária beneficiou principalmente os mais ricos, ao prever reduções de impostos para bilionários. “Não beneficiou os pobres nem o americano médio”, disse Ochoa, acrescentando que votou pelo correio de forma “completamente azul”, em referência à cor do Partido Democrata.
Nas disputas políticas do Arizona, a candidata democrata Joanna Mendoza concentra sua campanha no custo de vida, destacando sua origem em uma família que dependia de cupons de alimentação. Seu adversário, o republicano Juan Ciscomani, busca a reeleição tentando se distanciar de Trump e promete não ser “marionete de ninguém”.
Outros cidadãos também relatam dificuldades decorrentes das novas regras. Angélica Garcia, de 45 anos e recepcionista, tentou obter os benefícios do SNAP durante um período de desemprego, mas o pedido demorou mais de dois meses para ser analisado. Nesse intervalo, suas filhas, de 14 e 22 anos, alimentaram-se basicamente de arroz, feijão e macarrão. “Sinto que o governo Trump tornou as coisas mais difíceis para as pessoas”, declarou Garcia, que agora incentiva os vizinhos a participarem das eleições de 3 de novembro para “fazer valer a nossa voz”.



















