A Volkswagen confirmou em setembro a chegada do ID.4 ao mercado brasileiro como seu primeiro carro elétrico vendido ao público no país, custando R$ 299.990, com mais potência e uma bateria maior. O modelo já havia sido oferecido anteriormente, mas apenas por meio de aluguel. O curioso é que, poucas semanas depois do anúncio, a montadora confirmou em seu site global a chegada à Europa e aos EUA do ID. Tiguan, modelo que vai substituir o ID.4, significando que o carro chega agora ao Brasil, mas já tem substituto anunciado.
Ainda assim, o g1 testou o SUV elétrico para entender se ele vale a compra e, principalmente, se justifica o preço de R$ 300 mil diante de tantos concorrentes chineses mais baratos. O SUV é equipado com um motor de 286 cv de potência e 55,6 kgfm de torque. A bateria de 84 kWh (79 kWh de capacidade líquida) garante uma autonomia de 389 km, segundo o Inmetro. São números melhores do que os da versão disponível para locação, que vinha com 204 cv e bateria de 77 kWh. O sistema de recarga suporta até 185 kW em corrente contínua, permitindo elevar a carga da bateria de 10% a 80% em 25 minutos em carregadores rápidos de 180 kW.
Construído sobre a plataforma modular elétrica MEB, o carro mede 4,58 metros de comprimento e possui 2,77 metros de distância entre eixos, com porta-malas de 533 litros e teto solar panorâmico de vidro. O visual externo apresenta coeficiente de arrasto aerodinâmico de 0,28, iluminação em LED com faróis direcionais e lanternas traseiras conectadas por faixa iluminada. A carroceria é vendida nas cores Costa Azul, com teto Preto Piano, e Preto Granadilho, utilizando rodas de 19 polegadas com pneus 235/55 na frente e 255/50 na traseira.
No interior, o acabamento utiliza materiais sintéticos sem couro animal, combinando preto e marrom com bancos compostos por 71% de material reciclado. O painel de instrumentos digital fica fixado na coluna de direção, acompanhado por uma central multimídia com tela de 12,9 polegadas. Os bancos dianteiros contam com ajustes elétricos, aquecimento e função de massagem. O ar-condicionado é dividido em três zonas e a cabine possui iluminação configurável em 30 opções de cores, carregador por indução e quatro portas USB-C, além de pacotes completos de segurança e assistências à condução.
A primeira impressão ao entrar no ID.4 é que a montadora tentou inovar em pontos desnecessários, como nos comandos dos vidros elétricos na porta do motorista, que exigem toque prévio em um comando sensível ao toque para as janelas traseiras, solução já abandonada no ID. Tiguan. O quadro de instrumentos reduzido também gera críticas pelo minimalismo excessivo em um veículo de R$ 300 mil. Por outro lado, a lógica construtiva lembra modelos como T-Cross, Nivus e Polo, o que pode desagradar quem busca exclusividade em uma faixa de preço elevada, embora o espaço interno e a ergonomia sejam elogiados.
Ao volante, o ID.4 demonstra o DNA da marca com suspensão bem acertada, direção comunicativa, solidez e bom isolamento acústico. O motorista pode escolher entre quatro modos de condução: Eco, Normal, Sport e Individual. As retomadas são corajosas e superam os mais de 2.000 kg da ficha técnica, embora uma condução empolgada reduza a autonomia. No entanto, o desafio comercial é intenso diante de concorrentes menos refinados dinamicamente, mas muito mais baratos e populares no mercado brasileiro.
O presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, afirmou em nota que a chegada do automóvel representa um marco na estratégia da companhia. “O ID.4 é um produto global de sucesso e que chega ao Brasil para inaugurar uma nova etapa da nossa jornada rumo a uma mobilidade cada vez mais sustentável”, declarou. O modelo será oferecido no Brasil durante 2027, enquanto o sucessor ID. Tiguan segue sem definição de chegada ao país.
Por R$ 300 mil, o ID.4 precisará da paixão do consumidor pela Volkswagen para encarar rivais como o BYD Yuan Plus (R$ 269.990), o GAC AION V (R$ 219 mil), o Omoda E5 (R$ 209 mil) e o Leapmotor C10 (R$ 215 mil), além de opções híbridas. A montadora não informou planos de descontos, o que pode manter o SUV raro nas ruas assim como na fase de aluguel.



