Domingo, 8 de novembro de 2026 · São Paulo
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Vitória democrata nos EUA não deve aliviar pressão de Trump sobre Brasil, avaliam analistas

Mudança no Congresso americano deve dificultar agenda interna de Trump, mas política externa e tarifas sobre o Brasil permanecem inalteradas.

Em resumo

  • Democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado, alterando a correlação de forças no Congresso americano a partir de 2027.
  • Analistas afirmam que o Legislativo não possui competência institucional para reverter tarifas comerciais e sanções impostas por Trump.
  • A oposição democrata deve focar em pedidos de esclarecimento ao Departamento de Estado e na resistência a decretos executivos internos.

A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, confirmada pelas apurações, não deve alterar a postura da Casa Branca em relação ao Brasil. Embora o governo do presidente Donald Trump possa enfrentar obstáculos institucionais mais robustos para sua agenda interna, analistas avaliam que as pressões sobre o Brasil, incluindo tarifas comerciais e exigências de distanciamento da China, devem ser mantidas.

Especialistas ouvidos destacam que a correlação de forças no Congresso não terá poder para reverter medidas como a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas ou as tarifas impostas aos produtores nacionais. “O Congresso mais democrata até modifica a capacidade de interlocução com o Itamaraty, mas ele não terá condições de mexer na política comercial de Trump, justamente onde estão as implicações mais fortes sobre a relação entre Washington e Brasília hoje”, afirma o economista Otaviano Canuto.

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Os dados atuais indicam que os democratas retomarão o controle da Câmara dos Representantes, com 237 parlamentares contra 139 dos republicanos, e do Senado, com 54 cadeiras contra 44. A composição do Congresso mudará a partir de 3 de janeiro de 2027. Atualmente, os republicanos detêm a maioria em ambas as casas, o que permitia a Trump governar com poucos constrangimentos políticos.

Segundo Lucas Leite, professor da FAAP, a vitória democrata não anula a agenda trumpista, pois as ferramentas de pressão utilizadas pelo presidente fogem da esfera de atuação do Legislativo. “Não vejo condições do Congresso reverter as tarifas impostas a partir da Seção 301 ou mesmo a Lei Magnitsky, porque eles são mecanismos de manejo do Executivo”, explica. O Congresso também teria dificuldade em derrubar vetos presidenciais, o que exigiria uma maioria qualificada de dois terços em ambas as Casas.

Regiane Bressan, professora da Unifesp, aponta que a nova configuração do Congresso deve gerar mais pedidos de esclarecimentos ao Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio. No entanto, ela ressalta que, historicamente, a perda de controle do Legislativo pode levar o presidente a compensar a fraqueza interna com um ativismo político mais forte no exterior. “Com a agenda travada pela oposição, a dificuldade de aprovar reformas, os presidentes americanos frequentemente usam a política internacional como fuga”, conclui.

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