Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 · São Paulo
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Flávio Bolsonaro diz a jornal americano que fugiu sozinho do Brasil

Em entrevista ao The New York Times, o senador negou ajuda externa na fuga, embora investigações apontem suporte de governos estrangeiros.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista que deixou o Brasil por conta própria e negou ter recebido auxílio de governos estrangeiros.
  • O jornal The New York Times apontou que a Casa Branca teria providenciado o jatinho utilizado na viagem de Puerto Iguazú a Miami.
  • O senador declarou que pretende seguir nos Estados Unidos e que poderá ser candidato novamente caso novas eleições ocorram no Brasil.

Em sua primeira entrevista desde que fugiu do Brasil, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que a decisão de deixar o país foi espontânea, e negou ter sido ajudado por governos estrangeiros — a despeito de uma série de indícios que sugerem o contrário.

“Fui eu que fiz tudo”, assegurou ao jornal The New York Times, que publicou trechos da conversa nesta quinta-feira (05/11). “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, nenhum governo.”

Segundo o próprio NYT, porém, foi a Casa Branca quem providenciou o jatinho que o levou de Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami, nos EUA. E os carros com placa brasileira que chegaram ao aeroporto horas antes de a aeronave decolar tinham escolta da polícia argentina.

Ao aterrissar nos EUA, Flávio, a esposa e as duas filhas do casal receberam vistos normalmente concedidos por razões humanitárias.

Além disso, a família deixou o aeroporto em Miami em um comboio, sob escolta de oficiais americanos. Uma quinta pessoa que desembarcou junto teve a identidade protegida.

Como mostrou o Fantástico, a operação para retirar Flávio do Brasil também teria contado com a ajuda de um ex-agente do Mossad, o serviço secreto israelense.

A colunista Bela Megale, do jornal O Globo, também apontou que a fuga do senador, longe de ter sido uma decisão espontânea, já estava traçada há semanas.

Indagado pelo NYT sobre como chegou aos EUA, Flávio respondeu: “Isso eu vou levar para o túmulo comigo”.

Segundo ele, a decisão de fugir foi tomada na manhã seguinte à derrota nas eleições, para evitar uma prisão que considerava inevitável.

Investigado no Brasil em casos relacionados a lavagem de dinheiro e corrupção, Flávio — que afirma ser inocente — deixou o país após a Justiça determinar a entrega de seus passaportes.

Ao chegar nos EUA, ele divulgou uma carta golpista em que se apresentava como o “verdadeiro presidente” do Brasil, para depois substituir o termo por “líder” em uma segunda versão.

O documento traz uma série de argumentos infundados e incoerentes contestando o resultado das eleições.

A lisura do pleito, contudo, foi atestada por observadores internacionais e pelo Tribunal Superior Eleitoral, comandado por Kassio Nunes Marques, indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro. E os resultados foram reconhecidos até mesmo por aliados de Flávio.

Na entrevista, o senador voltou a insistir que a eleição teria sido fraudada, sem apresentar provas.

“Sei que não vai dar em nada”, afirmou, sobre sua tentativa de contestar a eleição. “Perdi para o sistema.”

Flávio, porém, disse que pretende mobilizar aliados do exterior em favor de sua agenda, que inclui a redução da maioridade penal e a anistia para seu pai Jair, preso por tentativa de golpe de Estado, e demais condenados por atos golpistas.

Ao mesmo tempo, o senador evitou responder à pergunta sobre se planeja trabalhar por sanções do governo de Donald Trump ao Brasil, e disse que pretende “seguir em frente” com a vida nos EUA.

“Pelo menos por enquanto”, afirmou. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”

Mesmo após Trump afirmar que não pretende se reunir com o brasileiro, aliados de Flávio esperam que os dois se encontrem durante a conferência conservadora CPAC, em Mar-a-Lago, que vai até o domingo.

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