Itapetininga (SP) comemora 256 anos de história nesta quinta-feira (5), unindo a tradição cultural do tropeirismo, o famoso bolinho de frango e o legado histórico como polo de formação educacional ao posto de potência econômica do interior paulista. Em uma década, o Produto Interno Bruto (PIB) do município alcançou R$ 8 bilhões, um salto de 123%, mais que dobrando a riqueza local, segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além da força no campo, a engrenagem que sustenta o crescimento financeiro do município está cada vez mais diversificada. A prefeitura aponta que os serviços e o comércio correspondem a 55,4% da riqueza produzida, enquanto a indústria equivale a 25%. Já a agropecuária direta, considerada o “forte econômico” da cidade, fica entre 7 e 12%.
Moda com identidade local
O termo “made in Itapê” é o slogan da marca de roupas criada pela produtora de moda Laura Paiva. Segundo ela, a Nefertih Clothing nasceu da vontade de “fazer moda de um jeito diferente”. “Nunca me contentei com rumo da indústria da moda atual: o fast fashion, no qual as roupas são feitas para durarem pouco. O sistema é pensado para se produzir muito e se consumir demais. Então, pensei em ir contra a maré: fazer uma moda sustentável, politizada e ética”, comenta.
A designer ressalta que o período da pandemia da Covid-19 foi crucial para a marca, que segue o estilo slow fashion. “Ao menos 80% da nossa produção é local, e feita aqui em Itapetininga. Os produtos que não são confeccionados na cidade levam o mesmo tipo de produção que o nosso, mais lenta, responsável e sustentável. Acompanhamos sempre de perto”, destaca. Em seis anos, a marca já enviou peças para locais como Irlanda, Inglaterra e França.
Inovação no setor de alimentos
No ramo de alimentos, a Indústria de Alimentos Saudáveis de Itapetininga (Iasi) também ganha espaço. A engenheira de alimentos Beatriz Ziglio explica que a empresa utiliza a soja local. “Nós compramos a soja daqui, fomentando a região e fazendo uso das matérias-primas de Itapetininga”, pontua. O foco atual é uma bebida vegetal proteica à base de soja, voltada para públicos com restrições alimentares.
“Nós entendemos que o produto é da classe A e B, então, nosso foco principal é atender o público mais seleto. Estamos sendo bastante procurados para alimentação infantil, de crianças que não podem com lactose ou têm restrição alimentar”, revela Beatriz. Atualmente, a produção é de cerca de 150 litros por mês, com planos de expansão para a Grande São Paulo.
Dados de exportação
Segundo o ComEx Stat, Itapetininga exportou cerca de US$ 451,5 milhões apenas em 2025, um número 126,7% maior em comparação ao ano anterior. A corrente de comércio chegou a US$ 493 milhões. Entre os principais destinos dos produtos estão China (71%), Holanda (4%), Chile (2,8%) e México (2,3%). A soja lidera as vendas, correspondendo a 70% do total exportado.



















