Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 · São Paulo
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Estudante de 13 anos sofre ataques racistas e sexuais após eleições em Belo Horizonte

Aluna bolsista foi alvo de ofensas em rede social após manifestar apoio a Lula; família registrou boletim de ocorrência por injúria e racismo.

Em resumo

  • Estudante de 13 anos recebeu ofensas racistas e sexuais após postar opinião favorável a Lula nas eleições.
  • A família registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil de Minas Gerais por injúria por meio eletrônico.
  • O MPT recebeu mais de 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho entre 28 e 30 de outubro.

Logo após o resultado das eleições em 25 de outubro, uma estudante negra de 13 anos, aluna bolsista de uma escola particular de Belo Horizonte, publicou em sua conta fechada no Instagram uma opinião favorável à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em resposta, a estudante passou a receber uma série de mensagens de texto e áudio com ofensas pesadas, com conteúdo percebido pela família da jovem como sendo racista, de intolerância religiosa, com preconceito de classe e ameaças de teor sexual, incluindo ofensas à mãe, ao pai e à avó da menina.

“Filha de Exu, elite do Candomblé, o Zé Pilintra é seu pai”, dizia um dos agressores, segundo áudios aos quais a BBC News Brasil teve acesso. “Sua pobre desgraçada, minha casa vale R$ 10 milhões, vale mais que sua alma inteira”, dizia outro. Muitos dos áudios têm linguagem ofensiva demais para serem reproduzidos nesta reportagem, incluindo aquelas que citam diretamente Lula. A família também relata que um dos garotos teria enviado uma foto de suas nádegas à estudante.

Segundo a família, as mensagens foram enviadas através da conta de Instagram de um colega de classe da garota, além de outros dois adolescentes que não estudam na mesma escola. As mensagens foram posteriormente apagadas, mas registradas antes disso pela mãe da menina. A mãe registrou um boletim de ocorrência sobre o caso junto à Polícia Civil de Minas Gerais na terça-feira (27/10). O boletim qualifica o ocorrido como injúria por meio eletrônico, com causa presumida de racismo.

A Polícia Civil de Minas Gerais afirma que os fatos já estão sendo apurados pelo Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família (Defam) e que “outras informações poderão ser divulgadas em momento oportuno”. Segundo a família, a estudante já havia sofrido outros episódios de agressão verbal na escola, que teria lidado com os casos de forma “passiva e protocolar”. A mãe conta, porém, que não procurou a polícia nos episódios anteriores por medo de a filha perder a bolsa de estudos.

Nesta terça-feira (3/11), a família e o advogado tiveram uma reunião com a escola. Segundo o advogado Victor Alves, a instituição de ensino se prontificou a dar todo o apoio institucional e jurídico à vítima. Questionada, a escola afirmou que “não compactua com qualquer forma de racismo, discriminação, intolerância religiosa, violência ou constrangimento, reafirmando seu compromisso com um ambiente educacional seguro, inclusivo e respeitoso”.

Contexto de violência política

O episódio de Belo Horizonte não é um caso isolado. Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo registrou casos de violência política contra estudantes após as eleições em escolas no Distrito Federal, no Paraná e em São Paulo. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou no sábado (31/10) que recebeu mais de 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho somente entre 28 e 30 de outubro. Além da violência contra estudantes, funcionários e professores de escolas também têm denunciado casos de perseguição política.

A professora Luciene Regina Tognetta, do Departamento de Psicologia da Educação da Unesp e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), destaca que os ataques contra estudantes após as eleições são casos de violência política. Em casos como o da estudante de Belo Horizonte, a especialista recomenda aos pais documentar as agressões e registrar boletim de ocorrência. Com relação à escola, a professora defende que casos de agressão devem ser tratados de forma pedagógica, buscando restaurar a convivência.

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