Segunda-feira, 2 de novembro de 2026 · São Paulo
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Votação antecipada nos EUA supera total de 2022 nas midterms

Mais de 53 milhões de americanos já votaram para as eleições de meio de mandato, impulsionados por forte mobilização em estados decisivos.

Em resumo

  • Mais de 53,6 milhões de eleitores já votaram antecipadamente nas eleições de meio de mandato dos EUA.
  • O número divulgado pelo Election Lab já supera os cerca de 46 milhões de votos de 2022.
  • A votação determinará o controle do Congresso e o equilíbrio em Washington nos próximos dois anos.

Mais de 53,6 milhões de americanos já votaram antecipadamente nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que acontecem nesta terça-feira (3). O número, divulgado neste domingo (1º) pelo Election Lab da Universidade da Flórida, já supera os cerca de 46 milhões de votos antecipados registrados em todo o processo eleitoral de 2022. A votação antecipada presencial chegou ao fim neste domingo em estados como Nova York, encerrando uma etapa marcada por recordes de participação em diversas regiões do país. Os prazos variam entre os estados, e os votos enviados pelo correio ainda podem elevar o total nacional.

Dos votos registrados até o meio-dia de domingo, aproximadamente 29,8 milhões foram presenciais e 23,9 milhões foram enviados pelo correio. A mobilização é especialmente expressiva em estados que concentram disputas competitivas pelo Senado. No Texas, mais de sete milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, enquanto a Geórgia e a Carolina do Norte também registraram forte participação.

O aumento do comparecimento ocorre em meio à impopularidade do presidente Donald Trump, que intensificou sua participação na campanha para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Embora não esteja na cédula, o presidente transformou as eleições em um teste para os dois primeiros anos de segundo mandato. Em jogo estão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e diversos governos estaduais. O resultado determinará o equilíbrio de forças em Washington nos próximos dois anos.

Trump intensifica campanha e aposta na mobilização republicana

O presidente intensificou sua participação na campanha neste fim de semana, com comícios em Iowa e Kansas, estados tradicionalmente republicanos onde as disputas pelo Senado ganharam atenção nacional. Em Iowa, Trump discursou por mais de duas horas e pediu votos para Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado, e Zach Lahn, que disputa o governo estadual. O presidente também fez referência à vitória do time de futebol americano da Universidade de Iowa sobre Wisconsin, no sábado, para transmitir confiança sobre o resultado eleitoral. “Mas vamos ter uma vitória muito maior na terça-feira”, afirmou Trump.

A estratégia não depende apenas de comícios presenciais. O presidente também aposta em uma maratona de comícios virtuais, os chamados tele-rallies, em que fala diretamente com eleitores por telefone. Só nesta segunda-feira (2), véspera da eleição, estão previstos nove eventos desse tipo, entre o fim da manhã e a noite. Trump também reservou um momento simbólico para a fase final da campanha. Às duas da tarde desta segunda-feira, no horário de Washington, o presidente tem um discurso previsto no espelho d’água em frente ao Memorial Lincoln, na capital americana.

Embora não esteja na cédula, Trump tem tratado essas eleições como uma disputa decisiva para a continuidade de sua agenda política e a manutenção do controle republicano do Congresso. O otimismo mostrado nos discursos do presidente, entretanto, contrasta com os índices de aprovação de seu governo. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro, apenas 32% dos adultos americanos aprovam o desempenho de Trump, índice próximo do menor patamar registrado durante seu segundo mandato. Entre os eleitores registrados, 47% declararam preferência por candidatos democratas ao Congresso, contra 36% que disseram apoiar os republicanos.

Michigan expõe divisão entre democratas e ataques

Uma das maiores surpresas da reta final aconteceu em Michigan, estado que Trump venceu nas eleições presidenciais de 2024 e que agora concentra uma das disputas mais importantes pelo controle do Senado. A deputada democrata Haley Stevens, derrotada nas primárias do partido por Abdul El-Sayed, anunciou neste domingo (1º) apoio ao republicano Mike Rogers, adversário de El-Sayed. “Estou apoiando Mike Rogers para o Senado dos Estados Unidos”, declarou Stevens em um vídeo publicado nas redes sociais, depois de participar de uma cerimônia religiosa ao lado do candidato republicano em Detroit.

A decisão representa uma ruptura incomum dentro do Partido Democrata a apenas dois dias da votação. O conflito entre Stevens e El-Sayed está relacionado principalmente às divergências sobre Israel e a guerra em Gaza. El-Sayed, americano de origem egípcia e muçulmano, acusa Israel de cometer genocídio contra os palestinos e critica o financiamento militar americano ao país. Stevens, por sua vez, condenou uma propaganda produzida por um grupo independente que associava o apoio dos Estados Unidos a Israel ao aumento do custo de vida. El-Sayed afirmou que não participou da produção do anúncio e que discordava de seu conteúdo.

O anúncio provocou uma reação imediata entre lideranças democratas. O presidente do Partido Democrata em Michigan, Curtis Hertel, acusou Stevens de abandonar os princípios que dizia defender. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou o apoio ao republicano como uma traição. Trump, por outro lado, comemorou a decisão da deputada. O presidente a chamou de corajosa e afirmou que gostaria de vê-la no Partido Republicano. Durante o comício em Iowa, também aproveitou para atacar El-Sayed, associando o candidato muçulmano a grupos extremistas. “O que este país precisa é de um pouco de torta de maçã. Não precisamos dos comunistas, dos jihadistas, da Irmandade Muçulmana. Precisamos de torta de maçã”, declarou Trump.

Latinos e asiático-americanos no equilíbrio eleitoral

Outro fator acompanhado com atenção pelos dois partidos é o comportamento dos eleitores latinos e de origem asiática, comunidades que ampliaram apoio a Trump nas eleições presidenciais de 2024. Dois anos depois, pesquisas indicam sinais de afastamento de parte desse eleitorado. Segundo levantamento do Pew Research Center realizado entre o fim de setembro e o início de outubro, 51% dos eleitores latinos registrados preferem candidatos democratas à Câmara dos Representantes, contra 24% que apoiam os republicanos. Outros 18% ainda não haviam decidido em quem votar. Entre os eleitores americanos de origem asiática entrevistados, 56% declararam preferência pelos democratas, contra 16% pelos republicanos.

A política migratória aparece entre os fatores de insatisfação. Segundo o Pew, 62% dos eleitores latinos registrados consideram que o governo Trump está indo longe demais nas deportações. A avaliação, entretanto, está longe de ser unânime. Entre os latinos que apoiam candidatos republicanos ao Congresso, 47% consideram que o governo está adotando a intensidade adequada nas deportações, enquanto 33% defendem medidas ainda mais rigorosas. O custo de vida também pesa sobre as escolhas eleitorais, especialmente diante do aumento dos preços dos combustíveis após o início da guerra com o Irã.

Mais do que uma disputa sobre a popularidade de Donald Trump, as eleições de terça-feira vão determinar se os republicanos conseguirão preservar o controle do Congresso ou se os democratas terão condições de ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca e impor novos limites à agenda presidencial. O resultado também oferecerá um primeiro retrato nacional da reação do eleitorado aos dois primeiros anos do segundo mandato de Trump.

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