Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · São Paulo
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virada de lula aponta caminho para a esquerda voltar a vencer, diz pesquisador

pesquisador da chatham house analisa os impactos da eleição no brasil, o papel das redes sociais e os desafios políticos futuros.

Em resumo

  • lula venceu a eleição com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário, segundo dados do tse.
  • o pesquisador christopher sabatini aponta que a esquerda precisa adotar novas estratégias e usar redes sociais.
  • o partido liberal teve forte desempenho no congresso e governos estaduais, impondo desafios para o próximo mandato.

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo (26/10) mostra que a esquerda pode usar táticas diferentes para conseguir vencer eleições — em um momento em que a América Latina vive uma ascensão da direita. A avaliação é de Christopher Sabatini, pesquisador sênior do Programa América Latina, EUA e Américas da Chatham House, um dos principais think tanks britânicos, com sede em Londres.

Desde que o presidente americano Donald Trump voltou ao poder, no ano passado, países como Colômbia, Chile, Bolívia, Peru e Equador elegeram líderes de direita. Com 100% das seções totalizadas, Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, segundo os dados do TSE. Para Sabatini, a vitória de Lula aponta um novo caminho para a esquerda — e isso passa por o que he vê como uma mudança de estratégia eleitoral.

Lula teria mudado o foco de sua campanha: se no primeiro turno, Lula centrou sua mensagem no combate à interferência dos EUA e em pautas tradicionais da agenda trabalhadora e dos sindicatos, no segundo turno, he passou a falar sobre preocupações reais dos trabalhadores. Além disso, o presidente incorporou influencers e aumentou sua presença nas redes sociais.

"Em certo sentido, isso mostra que a esquerda pode ter futuro, especialmente quando enfrenta a direita e uma demanda popular por segurança para a qual a esquerda nem sempre conseguiu apresentar respostas", diz Sabatini. Questionado se a vitória de Lula muda o cenário de um alinhamento regional ao movimento MAGA, Sabatini afirma que o resultado é uma surpresa e rompe com o padrão histórico brasileiro.

Sabatini destaca que Lula deixou de usar tanto o discurso tradicional sobre interferência dos Estados Unidos e soberania nacional, adaptando-se às preocupações reais dos eleitores, como o perdão de dívidas diante do endividamento das famílias. Ele também aponta que o Partido Liberal teve um desempenho muito forte no Congresso, governos estaduais e assembleias legislativas, tornando o PT um partido mais fraco quando comparado ao PL.

Sobre a relação com os Estados Unidos, o pesquisador avalia que a postura de Donald Trump e de figuras como Marco Rubio será determinante, ressaltando que Lula não fará concessões a Rubio. Sabatini também comenta as controvérsias sobre o sistema eleitoral e o Supremo Tribunal Federal, afirmando que o questionamento maior recai sobre o STF, e não sobre a transparência do TSE.

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