Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo

Sua empresa já automatizou o básico antes de investir em IA? A maioria ainda não

Dados mostram que a base de automação é o verdadeiro gargalo para a eficiência da inteligência artificial nas organizações.

Em resumo

  • 88% das organizações pesquisadas utilizavam IA em pelo menos uma função do negócio em 2025.
  • A adoção de IA generativa chegou a 70%, mas o uso de agentes autônomos ficou em um dígito percentual.
  • 62% das empresas experimentam IA agêntica, mas apenas 26% a utilizam de forma efetivamente ativa, segundo a KPMG.

O AI Index 2026, do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano da Universidade Stanford, revela que 88% das organizações pesquisadas utilizavam IA em pelo menos uma função do negócio em 2025, enquanto a adoção de IA generativa chegou a 70%. No entanto, o uso de agentes de IA, a camada que executa tarefas de forma autônoma, permaneceu em um dígito percentual na maioria das funções empresariais analisadas no mesmo levantamento.

Essa distância entre testar e operar reflete o mercado que correu para experimentar tecnologias sem resolver o que sustenta os experimentos em escala. Em setembro deste ano, uma reportagem descreveu empresas adotando inteligência artificial sem redesenhar processos, estruturar dados ou aplicar governança, o que gera mais complexidade e custos em vez de eficiência.

O verdadeiro gargalo não é o modelo de IA — é o dado

Uma análise recente sobre a adoção de IA em 2026 aponta que o dado é o gargalo real. As organizações que avançaram mais rápido já possuíam bases de dados organizadas, histórico confiável e sistemas integrados. É nesse cenário que a Automação Robótica de Processos (RPA) mantém sua relevância, criando a disciplina de mapear processos, estruturar dados e padronizar fluxos.

Fornecedores globais descrevem a automação inteligente como uma composição em camadas: o RPA organiza o dado, a IA generativa interpreta a solicitação com base nele e o agente de IA decide a ação final. Dados da KPMG indicam que 62% das empresas experimentam IA agêntica, mas apenas 26% a utilizam de forma efetivamente ativa.

A pergunta mais útil antes de adotar IA é avaliar quais processos já estão automatizados com dados limpos e quais continuam dependendo de trabalho manual. O RPA constrói a confiabilidade necessária para que a inteligência artificial opere bem.