Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 · São Paulo
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Senado aprova aumento do teto para MEI e perdão de dívidas

Proposta eleva limite de receita para R$ 140 mil até 2028, permite contratação de dois funcionários e prevê remissão de débitos com a União.

Em resumo

  • O limite de faturamento anual do MEI subirá gradualmente até R$ 140 mil em 2028.
  • O projeto permite a contratação de até dois funcionários, em vez de apenas um como na regra atual.
  • Dívidas com a União de até 13 de outubro de 2026 poderão ser perdoadas, beneficiando cerca de 3,6 milhões de MEIs.

O Senado aprovou nesta quinta-feira (15) o projeto de lei complementar (PLP) 186/2026, que eleva o limite de receita bruta anual do microempreendedor individual (MEI) para até R$ 140 mil a partir de 2028. A votação foi unânime, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário. O texto, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira (14), segue agora para sanção presidencial.

Atualmente fixado em R$ 81 mil desde 2016, o teto de faturamento passará para R$ 110 mil em 2027 e atingirá R$ 140 mil no ano seguinte. Para o início das atividades, o limite mensal será de R$ 9.166,67 em 2027 e de R$ 11.666,67 em 2028. O relator, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), destacou que a medida beneficiará cerca de 17 milhões de microempreendedores, auxiliando na organização financeira e na formalização.

Dívidas e contratações

O projeto prevê o perdão integral de dívidas dos MEIs com a União, inscritas ou não em dívida ativa, até 13 de outubro de 2026. A estimativa do Executivo é que 3,6 milhões de empreendedores sejam beneficiados, totalizando R$ 12,57 bilhões. Para manter o benefício, o MEI deve pagar em dia as contribuições dos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei, apresentar requerimento e desistir de ações judiciais sobre os débitos.

Além disso, a proposta amplia de um para até dois o número de empregados permitidos para as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços. Os funcionários deverão receber o salário mínimo ou o piso da categoria. Segundo Fávaro, a mudança permite que os empreendimentos ampliem sua capacidade produtiva sem a necessidade de migrar prematuramente para estruturas empresariais mais complexas.

O microempreendedor individual representa uma das mais relevantes políticas públicas de inclusão produtiva implementadas no país, afirmou o relator Carlos Fávaro.

O texto também atualiza os limites para a participação de microempresas e empresas de pequeno porte em contratações públicas e estabelece uma nova modalidade de licitação para MEIs. Durante a sessão, senadores como Izalci Lucas (PL-DF), Zenaide Maia (PSD-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) manifestaram apoio à matéria, enquanto Carlos Portinho (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) criticaram o uso eleitoral da medida pelo governo.